Carneiro qualifica de ridículas as alusões a uma aliança com o Chega

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O secretário‑geral do PS, José Luís Carneiro, acusou este sábado a direita de tentar encobrir um acordo para cortar pensões e descreveu como um fracasso a política social do Governo. As declarações foram feitas na Póvoa de Varzim, durante a participação na Rota pela Economia do Mar.

Acusações sobre negociações entre AD e Chega

Carneiro rejeitou as insinuações do PSD de uma eventual coligação entre socialistas e o Chega e virou a crítica contra a própria direita. Segundo o líder do PS, houve tentativas de entendimento entre a Aliança Democrática (AD) e o partido de André Ventura que não foram tornadas públicas.

O secretário‑geral afirmou que o PS nunca entrou em qualquer acordo desse tipo e que, pelo contrário, tem liderado propostas que outros partidos depois votam. Acrescentou que as movimentações entre Luís Montenegro e André Ventura chegaram a um ponto em que, na sua leitura, se discutia uma alteração à reforma e à Contribuição Extraordinária sobre a Solidariedade (CES).

Carneiro afirmou que o entendimento que terá sido negociado implicava um corte de 12% nas pensões em pagamento e que, em alternativa, poderia ter sido necessária a subida de impostos ou dos descontos para a Segurança Social. O responsável do PS estimou que a medida representaria um impacto anual de cerca de 4,5 mil milhões de euros e disse exigir explicações públicas a Montenegro e a Ventura sobre esse eventual pacto.

Vitória contra a revisão laboral e críticas ao Governo

O líder socialista saudou o chumbo da proposta de revisão da legislação laboral, defendendo que a derrota no Parlamento protegeu trabalhadores e grupos mais vulneráveis. Recordou que o PS defendeu uma posição clara sobre a matéria desde 3 de agosto de 2025.

Carneiro considerou que a iniciativa da AD representava uma contrarreforma que prejudicava jovens, mulheres e famílias. Referiu ainda que o apoio de última hora do Chega contribuiu para barrar o texto.

“A política social do Governo falhou”, afirmou, alargando a crítica a outras áreas: saúde, habitação e gestão económica. Para ele, há uma distância entre o executivo e a realidade do país, o que explica, segundo Carneiro, as acusações dirigidas ao PS.

Questionado sobre a estratégia de comunicação de Luís Montenegro, o secretário‑geral foi direto: promover uma imagem de trabalho não resolve problemas concretos como habitação, salários ou produtividade.

Economia do mar: prioridades e dragagens atrasadas

No âmbito da Rota pela Economia do Mar, que incluiu um encontro com a Associação de Armadores de Pesca do Norte (AAPN) e uma saída ao mar a partir do Porto de Pesca da Póvoa de Varzim, Carneiro criticou a falta de atenção do Governo ao setor.

O dirigente socialista sublinhou que a economia do mar representa cerca de 4% do Produto Interno Bruto e também 4% do emprego nacional. Para ele, estes números justificam apoio público mais decidido para enfrentar desafios como quotas comunitárias, o aumento dos custos dos combustíveis e a necessidade de modernizar a frota.

Carneiro anunciou que o tema vai permanecer uma prioridade parlamentar do PS até ao final da sessão legislativa e pediu medidas concretas de acompanhamento aos esforços dos pescadores.

Também chamou atenção para o problema do assoreamento dos portos, apontando atrasos nas dragagens prometidas pelo executivo. Defendeu que o desassoreamento deve respeitar a biodiversidade e a sustentabilidade, mas alertou que os compromissos assumidos não estão a ser cumpridos.

O PS, concluiu, continuará a levar a questão à Assembleia da República até que sejam entregues soluções operacionais.

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