CPI sobre Luís Neves descarta ouvir Marcelo e convoca Costa, Montenegro e Ventura

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A comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária aprovou hoje várias audições, recusou outras e gerou tensão quando votou a presença do presidente da comissão, André Ventura, que admitiu avaliar a sua continuidade. Entre as decisões mais marcantes está o chumbo da convocação do ex‑presidente Marcelo Rebelo de Sousa e a aprovação de depoimentos escritos de dois primeiros‑ministros.

Votação dividida e audições em separado

A reunião desta terça‑feira reuniu dezenas de propostas de convocatória, muitas votadas individualmente por não haver consenso entre os partidos sobre a sua pertinência para os trabalhos. O PSD retirou vários nomes da lista de entendimento comum, levando à votação separada.

Deputados a votar com pilhas de documentos sobre a mesa
Votação dividida na comissão, com propostas decididas individualmente.

O nome de Marcelo Rebelo de Sousa, proposto pela Iniciativa Liberal, foi rejeitado com votos contra do PS e do PSD. A justificação apresentada pelos liberais invocava possíveis informações que o ex‑chefe de Estado teria sobre a exclusão da PJ da investigação à Operação Influencer, após uma reunião entre a então procuradora‑geral Lucília Gago e o ex‑primeiro‑ministro António Costa.

Audições aprovadas e recusadas

Foram aprovadas várias convocações com regimes diferentes:

  • Luís Montenegro será ouvido por escrito, decisão que teve a abstenção do PSD e do CDS‑PP e votos favoráveis dos restantes grupos.
  • António Costa também será ouvido por escrito; essa convocatória foi aprovada por consenso, sem votação.
  • Com abstenção do PS, PSD e CDS‑PP, foi aprovada a audição do ex‑secretário‑geral da Administração Interna, Ricardo Carrilho, relacionada com declarações sobre indicações para obras sem concurso público.
  • Foi igualmente aprovada, em modelo presencial, a audição do inspetor da PJ David Freitas, autor da denúncia que originou investigações sobre alegadas escutas não autorizadas no processo Football Leaks.

Várias convocações foram chumbadas. O pedido do Chega para ouvir as jornalistas Felícia Cabrita e Sandra Felgueiras foi rejeitado. Também não foram aprovadas as convocações do juiz Carlos Alexandre, dos advogados João Martins Leitão e Ricardo Serrano Vieira, nem do bastonário da Ordem dos Advogados, João Massano.

O pirata informático Rui Pinto, beneficiário de medidas de proteção especiais do Estado, foi autorizado a depor à distância.

O caso de André Ventura

O depoimento do presidente da CPI, André Ventura, foi incluído na lista e aprovado após ser retirado do bloco de consenso pelo PSD. A justificativa para a convocatória aponta alegações de que, depois de um alegado assalto ao gabinete do Chega, desapareceram documentos ligados aos trabalhos da comissão.

Microfone vazio no lugar do presidente da comissão
André Ventura pode avaliar a sua continuidade após a decisão de o ouvir.

Perguntado se, face à decisão de o ouvir, manteria a presidência da comissão, Ventura respondeu: “No momento da audição avaliaremos essa posição, quer juridicamente, quer politicamente”. A declaração abriu a possibilidade de uma eventual renúncia à liderança da CPI.

Limites defendidos pelos partidos e critérios

PSD e PS fundamentaram várias rejeições em argumentos distintos. O PSD defendeu a manutenção da independência institucional e afirmou que não faz sentido convocar magistrados. O PS, por sua vez, insistiu que as audições devem limitar‑se a quem pode esclarecer factos concretos objecto da inquérito.

Contexto do inquérito e calendário

A comissão foi instalada a 14 de outubro com o objetivo de avaliar a intervenção de Luís Neves como diretor da PJ durante os mandatos de 2018 a 2026 e verificar eventual responsabilidade de membros do Governo que o nomearam ou tutelaram.

O Chega forçou a constituição da CPI após polémicas recentes envolvendo o agora ministro da Administração Interna, nomeadamente obras numa propriedade do mesmo realizadas por uma empresa que celebrara contratos com a PJ e a apreensão de um atrelado com químicos, que ficou guardado nas instalações dessa empresa.

Os trabalhos da comissão ficam suspensos até 26 de novembro, enquanto decorre a discussão do Orçamento do Estado para 2027.

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