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Milhares de pessoas manifestaram-se esta terça-feira frente à Assembleia da República, cobrindo o arranque do debate do **Orçamento do Estado para 2027** e impondo a habitação no centro da agenda política. A mobilização trouxe apelos a uma greve geral, críticas às alterações ao arrendamento e forte contestação à atuação policial.
Protesto concentra centenas junto a São Bento
Os participantes reunidos à porta do Parlamento decidiram não instalar tendas, por falta de condições, anunciou uma porta-voz da Acampada de Lisboa. Está marcada uma nova Assembleia Popular para quarta-feira às 19h00, no Rossio.
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Durante a manifestação foram visíveis pedidos por uma paralisação geral em defesa do direito à moradia e contra o aumento do custo de vida. Um panfleto divulgado no protesto, assinado por sete sindicatos, apelava à CGTP e à UGT para iniciar um processo de mobilização com vista a uma **greve geral** nacional.
Os manifestantes pediram também sinais de solidariedade por parte de agentes das forças de segurança, com slogans como “És cidadão antes de ser polícia”. Um dispositivo policial acompanhou a marcha e foi alvo de apupos sempre que elementos mais próximos das grades eram substituídos.
Momentos de tensão conviveram com expressões simbólicas: a canção Grândola, vila morena foi cantada em coro e a artista Mariza Liz entoou um tema de Zeca Afonso.
Reações políticas e presença de deputados
Vários deputados do PS, entre eles o líder da bancada Eurico Dias e outras vozes socialistas, deslocaram-se junto aos manifestantes para expressar «solidariedade», segundo declarações recolhidas. A bancada socialista garantiu respeito pelo direito à manifestação e disponibilidade para diálogo.

Do lado da esquerda, deputados do Bloco de Esquerda e do PCP responsabilizaram o Governo e pediram o recuo nas mudanças ao Novo Regime de Arrendamento Urbano, apelidadas pelos comunistas de “lei dos despejos”. O Bloco questionou também os limites propostos para cauções e rendas antecipadas.
Outras formações, como o Livre e a Iniciativa Liberal, colocaram-se em oposição ao teor do orçamento. A líder liberal criticou a redução do investimento público em habitação prevista no documento, enquanto o Livre acusou o Executivo de falta de empatia face ao drama das famílias.
Montenegro abre debate e defende opções do Governo
O primeiro-ministro Luís Montenegro abriu a primeira sessão do debate na generalidade afirmando que o Orçamento é coerente com os anteriores da coligação e promove escolhas orientadas para a diminuição da dívida, apoio às famílias e estímulo à economia.
Montenegro destacou aumentos de investimento em habitação e a expansão de medidas sociais, como o reforço do **Complemento Solidário para Idosos** e cortes no IRS para rendimentos mais baixos. Também defendeu incentivos destinados a reter jovens em Portugal e a apoiar setores dependentes de combustíveis.
Sobre as críticas à atuação policial nas manifestações, o primeiro-ministro elogiou a **PSP** pelo equilíbrio e proporcionalidade, afirmando que a polícia interveio apenas «em última necessidade». Reconheceu, porém, a existência de excessos individuais e disse que eventuais responsabilidades serão apuradas.
Confrontos verbais no hemiciclo
O debate trouxe troca de acusações entre o Governo e a oposição. André Ventura (Chega) questionou onde esteve o primeiro-ministro durante os episódios mais tensos dos protestos. Montenegro respondeu que não esteve ausente, dizendo que preferiu «trabalhar» em vez de procurar exposição mediática.
O PCP e o Bloco apelaram ao recuo nas alterações ao arrendamento. O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, pediu a Montenegro que «deixe cair» as alterações aprovadas na generalidade e que reavalie o conceito de renda moderada fixado em 2.300 euros mensais.
Montenegro contrapôs que muitas das medidas propostas pela oposição não são complementares, mas alternativas, e insistiu na necessidade de escolhas orçamentais responsáveis. Também defendeu a aplicação temporária de medidas fiscais, como a contribuição de solidariedade ao setor petrolífero, justificada pela excecionalidade internacional dos lucros.
Logística, sequência do debate e medidas preventivas
A PSP, em coordenação com a Câmara de Lisboa, pediu a encerramento antecipado de estabelecimentos comerciais junto à Assembleia por motivos preventivos, referindo o objetivo de evitar consumo de álcool e o uso de objetos contundentes durante a manifestação.
O primeiro dia de debate terminou com o anúncio de que o Governo ainda responderá a mais de quatro dezenas de pedidos de esclarecimento de deputados e que as sessões continuam amanhã a partir das 10h00, com votação prevista na parte da tarde.
Enquanto o Parlamento retoma a discussão, a rua manteve a mobilização pelo **direito à habitação**, que continua a marcar o calendário político e social do país.












