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O presidente da Câmara de Paredes de Coura, Tiago Cunha, apresentou a experiência do concelho sobre **infraestrutura verde** em contexto rural no ENAP’26, que decorreu em Tomar. A intervenção colocou a gestão local do território no centro do debate sobre resiliência ambiental e desenvolvimento sustentável.
Infraestrutura verde além do ambiente urbano
No painel “A infraestrutura verde na promoção do território”, Tiago Cunha defendeu que o conceito não se esgota em parques e jardins urbanos. Em zonas rurais, a infraestrutura assume formas variadas — florestas autóctones, linhas de água, turfeiras, lameiros e sistemas tradicionais de regadio — e presta funções essenciais ao território.
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Esses componentes ajudam a conservar a biodiversidade, regular recursos hídricos, proteger solos e capturar carbono. Têm ainda papel produtivo e social, integrando práticas agrárias e valores comunitários.
O caso de Paredes de Coura
A intervenção baseou-se no percurso do município, nomeadamente no **Plano de Paisagem** de 2015, que procurou articular naturezas diferentes do território — urbana, rural, florestal e natural — com participação da comunidade.

Tiago Cunha descreveu projetos concretos já desenvolvidos pelo município: recuperação e renaturalização de linhas de água, valorização de sistemas tradicionais de regadio, gestão de zonas húmidas e lameiros e conservação de habitats na área da Paisagem Protegida do Corno de Bico. Também realçou práticas como a gestão da vegetação e o pastoreio, fundamentais para reduzir o risco de incêndios rurais.
O exemplo de Paredes de Coura mostra como é possível conciliar conservação e atividade agrícola, protegendo ao mesmo tempo a paisagem e a vida das comunidades locais.
O papel dos municípios na política territorial
Para o autarca — o único presidente de câmara convidado para o encontro —, implicações práticas decorrem da necessidade de integrar a **infraestrutura verde** nas decisões de planeamento. Isso exige uma visão de longo prazo que combine políticas ambientais, agrícolas, florestais e de ordenamento.
Segundo Tiago Cunha, reconhecer o valor dos espaços naturais passa também por valorizar o trabalho e as atividades que os mantêm. Essa articulação cria condições para que os sistemas naturais e produtivos continuem a cumprir as suas funções ecológicas e económicas.
A participação no ENAP’26, promovido pela Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas (APAP) no ano do seu 50.º aniversário e com o tema “Paisagem Comum”, permitiu partilhar estas práticas num fórum nacional de reflexão.
“Cuidar da nossa paisagem é investir num território mais resiliente, mais vivo e mais preparado para o futuro”, concluiu Tiago Cunha no encerramento da sua apresentação.












