Droga proveniente de Espanha era vendida em Barcelos, Ponte de Lima e Vila Verde

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Começou na quinta‑feira, em Braga, o julgamento de 16 arguidos acusados de integrar uma rede de tráfico de droga que atuava sobretudo em Barcelos, Ponte de Lima e Vila Verde. Quatro dos réus admitiram perante o coletivo ter participado em alguns factos, mas recusaram a totalidade das acusações.

Arguidos negam envolvimento em parte das ocorrências

Durante a sessão, vários acusados contestaram pontos centrais da acusação, afirmando não terem estado presentes em determinados episódios apontados pelo Ministério Público. Em conjunto, tentaram apresentar a versão de que havia, na prática, duas estruturas distintas — uma centrada em Barcelos e outra em Ponte de Lima — com poucas ligações recíprocas.

Essa tese diverge da pronúncia proferida em novembro de 2024 pelo Tribunal de Instrução, que acolheu a investigação do Ministério Público apresentada em 2023.

Composição do grupo e áreas de atuação

O processo envolve 12 homens e quatro mulheres, com a maioria dos arguidos a residir em Barcelos. Segundo a acusação, o grupo ia buscar estupefacientes a Espanha e distribuía-os também em Braga, Serzedelo, Guimarães e Ermesinde.

Dinheiro e doses apreendidas dispostas em mesa durante busca policial
Material apreendido pela GNR durante buscas domiciliárias.

Quatro dos réus estão defendidos pelo advogado João Ferreira Araújo, de Braga.

Perfis citados na acusação

O tribunal detalha responsabilidades individuais. De acordo com a pronúncia:

Roberto P. terá operado desde 2018 a venda de canábis, cocaína e MDMA a terceiros, com cerca de 60 clientes regulares, cobrando em dinheiro ou através de bens. A companheira, Maria da P., é apontada como sua colaboradora.

Gilberto C. é descrito como vendedor desde 2019, também em Ponte de Lima, e como auxiliar de Roberto.

Outro arguido — não identificado no resumo da pronúncia — é referido como vendedor desde 2019 em Ponte de Lima, Vila Verde e Braga, ajudado por uma irmã.

Vítor F. aparece como responsável por comercializar droga a partir de quatro residências em Remelhe, Barcelos, com o auxílio da companheira Marina B.

Nuno R., explorador de um café em Barcelos, é acusado de armazenar produto estupefaciente no estabelecimento; a companheira, Andreia, é apontada como auxiliar. A acusação também associa Nuno R. e Vítor F. a uma atuação conjunta, com o apoio de Rogério A. e Marta R.

Os arguidos Torcato M. e Arcélio R. são referidos como ativos desde 2019 em várias localidades, entre elas Lijó.

Outros factos e medidas policiais

Além do crime de tráfico, o Ministério Público descreve episódios adicionais: dois dos envolvidos estão acusados de resistência e coação sobre funcionário, por alegadamente tentarem abalroar uma viatura da GNR; outros dois estão pronunciados por condução sem carta.

Sala de tribunal com réus e advogado durante audiência
Início do julgamento em Braga com arguidos a prestar declarações.

A investigação da GNR que sustentou a acusação baseou‑se em múltiplos elementos probatórios: interceções telefónicas, relatórios periciais, autos de notícia, registos de apreensão, ordens de busca, relatórios de vigilância, suportes fotográficos e informação de organismos como o registo automóvel e controlos de fronteira.

Material apreendido

As buscas domiciliárias e operações de polícia resultaram na apreensão de várias dezenas de doses de estupefaciente e de mais de 30.000 euros em numerário, segundo os autos.

O julgamento prossegue em Braga, com produção e análise de prova testemunhal e pericial para esclarecer a extensão e a organização alegadas da rede.

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