Nos EUA, chegada iraniana ao Mundial 2026 é recebida com protestos e tensão

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A chegada da seleção do Irão a Los Angeles para o Mundial 2026 trouxe mais do que um teste desportivo: uma combinação de forte dispositivo de segurança, protestos e contratempos logísticos que, segundo jogadores e treinador, condicionaram a preparação da equipa. As tensões políticas envolvem desde avisos públicos sobre segurança até proibições de símbolos no estádio, criando um cenário complexo antes da estreia contra a Nova Zelândia.

Chegada tensa e ambiente de segurança

A comitiva iraniana aterrou em Los Angeles depois de duas tentativas de aproximação do avião e de uma passagem temporária por Tijuana, no México, devido a dificuldades com vistos. À chegada, os jogadores encontraram um dispositivo policial reforçado, vigilância por drones e grupos de manifestantes concentrados junto ao hotel em Manhattan Beach.

Dispositivo de vigilância por drones e policiamento reforçado num aeroporto
Comitiva iraniana enfrentou vigilância intensiva à chegada a Los Angeles

O avançado Mehdi Taremi afirmou que o clima pesado prejudica o espírito do torneio: “Este tipo de tensão compromete a alegria e prejudica a mensagem da FIFA e do nosso povo, que é sobre futebol e busca pela paz”, declarou, em comentário citado pelo The Guardian. A chegada ao território norte-americano coincidiu com o anúncio de um memorando de entendimento entre os dois países.

Risco, avisos públicos e logística afetada

A participação do Irão no Mundial chegou a ser posta em causa na sequência de ataques no final de fevereiro. Fontes internacionais relataram que, em março, o Presidente norte-americano publicou uma mensagem na plataforma Truth Social alertando para a segurança da comitiva: “A seleção nacional de futebol do Irão é bem-vinda ao Mundial, mas não acredito realmente que seja apropriado que estejam lá, pela sua própria vida e segurança”.

Além desses avisos, restrições na emissão de vistos afetaram não só os iranianos como outros intervenientes do evento. O árbitro somali Omar Artan, por exemplo, viu a entrada nos EUA recusada, um episódio que ilustra o impacto operacional nas equipas e nos profissionais do torneio.

Protestos dentro e fora do estádio

Na Califórnia, onde está a maior comunidade iraniana fora do Irão, muitos imigrantes manifestaram-se com críticas à seleção, que alguns consideram ligada ao regime de Teerão. O ativista Arezo Rashidian, organizador de manifestações planeadas para o dia do jogo, disse ser “lamentável que o regime transforme os atletas em porta-vozes”.

Manifestantes junto a um estádio com cartazes e sinais de protesto
Protestos planeados no SoFi Stadium incluem vaias ao hino nacional iraniano

No SoFi Stadium, esperam-se protestos coordenados que incluem vaias ao hino e a possibilidade de adeptos virarem as costas aos jogadores. Segundo notícias citadas pela imprensa, o ministro do Desporto do Irão instruiu o treinador a interromper a partida e a retirar a equipa caso os cânticos anti‑governo saiam do controlo.

Polémica sobre símbolos e resposta dos adeptos

Uma das fontes de confronto envolve a antiga bandeira do Irão, com o leão e o sol, associada a opositores do regime e proibida pela FIFA para evitar a politização dos relvados. A decisão gerou frustração entre alguns residentes nos EUA: Jayhun Behestani, um iraniano em Los Angeles, disse ao El Mundo que deitou fora três bilhetes de 890 dólares cada por discordar da proibição — “Pensava que este era um país livre onde se podia levar qualquer bandeira para um estádio, mas estava enganado”, lamentou.

Treinos, preparação e escolhas do treinador

O treinador Amir Ghalenoi procurou separar futebol e política, afirmando: “Estamos aqui para jogar futebol e para representar o povo respeitável do Irão, tanto os iranianos que estão dentro do país como os da diáspora”. Ainda assim, reconheceu o impacto das dificuldades de viagem na preparação da equipa e na forma física dos jogadores: “Sei que os meus jogadores estão determinados a dar o seu melhor. Espero que o Mundial corra bem, apesar dos problemas que tivemos com as viagens… Espero que isto não afete a qualidade do nosso jogo”.

A comitiva chegou com vinte minutos de atraso à conferência de imprensa no estádio e foi questionada sobre a ausência do avançado Sardar Azmoun, afastado após publicar uma fotografia com um governante dos Emirados Árabes Unidos. Ghalenoi limitou‑se a dizer: “O Sardar Azmoun é um excelente jogador e já fez muito pela seleção, mas não está connosco. Gostávamos que estivesse, mas isto é o futebol, lamento”.

O que está em jogo

Para o Irão, a estreia no Mundial transcende o resultado. A equipa tenta concentrar-se na competição face a uma agenda externa intensa. Jogadores, equipa técnica e organizações do futebol tentam gerir segurança, protestos e logística sem que o contexto político se sobreponha ao jogo.

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