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O Presidente da República, António José Seguro (PS), criticou as imagens da intervenção policial nas acampadas pelo direito à habitação e disse que tem acompanhado o caso desde domingo, exigindo esclarecimentos às entidades competentes. A reação do chefe de Estado surge após confrontos em Lisboa e no Porto que deixaram dezenas de feridos e detidos.
Crítica pública às imagens
Em declarações à imprensa na manhã de terça-feira, 27 de outubro, Seguro afirmou não concordar com o que viu nas imagens da operação policial, em especial em Lisboa no sábado. Disse ter estado atento desde cedo e ter solicitado informações às autoridades responsáveis.
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O Presidente declarou: “Não gostei do que vi nas imagens recentes, designadamente em Lisboa, no passado sábado“, e acrescentou que esse acompanhamento faz parte do seu papel institucional.
Pedido de inquéritos e cautela sobre conclusões
Questionado sobre possível desproporcionalidade na atuação policial, Seguro evitou tirar conclusões antes dos resultados formais. Remeteu a avaliação para os processos disciplinares ou judiciais em curso.
Sobre esse ponto, afirmou: “Isso é o que os resultados do inquérito vão apurar. E eu espero que seja rápido. Que não sejam daqueles inquéritos que se eternizam“.
Diálogo como resposta e agenda política
O chefe de Estado apelou ao diálogo entre manifestantes, Governo e partidos, sublinhando que as soluções para a crise da habitação exigem decisões políticas. Defendeu que o direito à manifestação deve conviver com o respeito pela lei.

Seguro frisou que Portugal tem uma cultura de diálogo: “não é uma cultura de violência, nem é uma cultura de confronto“. E acrescentou uma preocupação social: “Os jovens são hoje uma geração bloqueada“, face aos preços elevados do arrendamento e da compra de habitação.
Para discutir medidas, anunciou uma reunião com especialistas em habitação na quarta-feira e encontros com partidos com assento parlamentar na quinta-feira, além da convocatória do Conselho de Estado. Nas suas palavras: “Tenho estado ativo, tenho estado vigilante e continuarei vigilante na garantia do Estado de direito democrático no nosso país“.
O que aconteceu nas operações
A intervenção policial nas acampadas do Rossio, em Lisboa, e da Praça D. João I, no Porto, na madrugada de domingo, deixou, segundo a PSP, pelo menos 33 manifestantes feridos e 31 detidos. Os movimentos organizadores denunciaram uso excessivo da força.
A polícia justificou a ação pela necessidade de desocupar espaços públicos após avisos aos ocupantes. Está convocada uma nova manifestação para esta terça-feira, 27 de outubro, junto à Assembleia da República.











