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Miguel Cristovinho, músico dos D.A.M.A., lançou o primeiro álbum a solo, intitulado Ouro na Fenda. O trabalho, de sete temas, parte de uma reflexão sobre imperfeição e reconciliação, inspirada em tradições japonesas de reparo e aceitação.
Por que o disco surgiu agora
Cristovinho, até aqui o único dos três elementos do grupo que ainda não tinha um projeto a solo, conta que a ideia apareceu depois do concerto dos D.A.M.A. na Meo Arena, no ano passado, numa noite em que a sala estava lotada e ele não se sentiu bem.
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Após cinco anos a combinar a sonoridade da banda com música tradicional portuguesa — primeiro no Alentejo e depois no Minho — surgiram canções que, na sua opinião, não cabiam no repertório coletivo. «Havia um vazio», diz, e esse acúmulo de ideias acabou por provocar a decisão de trabalhar sozinho.
Conceito: reparar com arte
O título do álbum remete para o kintsugi, a prática japonesa de emendar cerâmica quebrada com ouro, e o disco abraça também a filosofia do Wabi-Sabi, que valoriza as imperfeições. Cristovinho descreve o trabalho como «um disco profundamente pessoal» nascido de um processo criativo instintivo.

Na música, essa busca traduz-se numa aceitação das fragilidades e numa tentativa de reconectar com a dimensão humana, em contraste com um mundo cada vez mais algorítmico e tecnológico. Para o autor, permitir que essas falhas apareçam é «deixar a luz entrar».
Colaborações e célula sonora
O registro reúne contribuições de artistas como João Não, X-Tinto e MAR — apontados por Cristovinho como «pessoas de quem gosto, os chamados talentosos do bem». O músico assume alguma insegurança inicial, mas optou por expor as suas fragilidades no disco.
Apresentação ao vivo e futuro do projeto
Há já prevista uma apresentação ao vivo de Ouro na Fenda, embora Cristovinho descarte, por agora, uma digressão em nome próprio. Ainda assim, garante que o caminho a solo não foi um episódio isolado: uma vez aberta a porta, não se volta a fechar, mas admite precisar de «sentir essa urgência» para lançar outro trabalho solo.












