A catedral do futebol: Estádio Azteca, palco da mão de Maradona e da cabeçada de Pelé

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O Estádio Azteca é um dos palcos mais emblemáticos do futebol mundial: já foi cenário de duas finais de Campeonato do Mundo e de lances que entraram para a história da modalidade. Com reformas sucessivas, volta a receber partidas de um Mundial e passará a ser o primeiro recinto a acolher jogos em três edições diferentes da competição.

Momentos que definiram eras

Na final do Mundial de 1970, um cruzamento de Rivelino encontrou Pelé, que desviou de cabeça para abrir o placar da vitória do Brasil sobre a Itália. Quase duas décadas depois, no mesmo relvado, Diego Maradona protagonizou dois episódios antológicos nas meias-finais de 1986: primeiro a polémica “Mão de Deus” e, minutos depois, a famosa arrancada desde o meio-campo que culminou num dos golos mais celebrados da história dos Mundiais.

Recriação simbólica de um desvio de cabeça num estádio clássico
Pelé desviou de cabeça em 1970 para abrir o placar da final do Mundial.

O Azteca guarda também a lápide do que ficou conhecido como o “Jogo do Século”, a meia-final entre Itália e RFA em 1970 que terminou 4-3. Esses e outros acontecimentos transformaram o estádio numa referência além do simples equipamento desportivo.

Construção, renovações e identidade

A construção começou em 1961, durante a presidência de Adolfo López Mateos, na sequência da atribuição à Cidade do México dos Jogos Olímpicos de 1968. O estádio foi inaugurado em 1966 com um jogo entre o América e o Torino que reuniu 107.494 espectadores, e poucos meses depois recebeu iluminação artificial para encontros noturnos.

Ao longo das décadas o recinto passou por várias intervenções — incluindo obras antes do Mundial-2026 que implicaram um encerramento temporário. A reabertura ocorreu em março numa partida particular contra Portugal. Em 1997, após aquisição pela Televisa, o nome oficial chegou a ser alterado para Guillermo Cañedo, mas a designação popular manteve-se: Azteca, também conhecido como o “Colosso de Santa Úrsula”.

Uso multifacetado: desporto e espetáculos

Para além do futebol, o Azteca acolheu jogos da NFL, grandes concertos e eventos multitudinários. No final de 1993, Michael Jackson realizou cinco noites da digressão Dangerous que, no conjunto, reuniram cerca de 550.000 pessoas.

Multidão num estádio durante um grande concerto à noite
O Azteca também recebeu grandes concertos, como as noites de Michael Jackson.

Também em 1993 teve lugar ali o combate de boxe entre Julio César Chávez e Greg Haugen, referenciado pelo público presente, estimado em 130.000 pessoas. Em 2014, o estádio recebeu o velório do humorista Chespirito Bolaños, adepto do América, evidenciando o papel do local além das competições desportivas.

Ficha técnica

  • País: México
  • Cidade: Cidade do México
  • Ano de inauguração: 1966 (renovações em 1986, 1999, 2013, 2016 e 2026)
  • Clubes residentes: América e Cruz Azul (futebol)
  • Custo de construção: 12,3 milhões de euros (conversão à data)
  • Capacidade: 87.523 espectadores
  • Jogos previstos no Mundial-2026 (5): México–África do Sul (11/6), Uzbequistão–Colômbia (17/6), Rep. Checa–México (24/6), 1 dos 16 avos de final (30/6) e 1 dos oitavos de final (5/7)

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