GNR revela 1.657 crimes em escolas; cerca de 80 casos de bullying e ciberbullying

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Este ano a GNR registou mais de 1.650 crimes ocorridos em ambiente escolar, dos quais aproximadamente 80 foram relacionados com **bullying** e **ciberbullying**. A corporação associou-se ao Dia Mundial de Combate ao Bullying para divulgar números e recomendações dirigidas a escolas, famílias e alunos.

Onde ocorrem mais casos

Na área sob a responsabilidade da GNR foram sinalizadas 72 ocorrências classificadas como prática de bullying. Os distritos com maior número de registos foram Setúbal (10), Porto (9), Castelo Branco (8), Lisboa (8) e Santarém (7).

Mapa conceptual com distritos e números de ocorrências de bullying
Distritos com maior número de ocorrências segundo a GNR.

Relativamente ao ciberbullying, foram identificados seis casos, distribuídos por Braga (2), Setúbal (2), Porto (1) e Santarém (1).

Campanhas e alcance

Ao longo do ano letivo 2025/2026 a GNR realizou cerca de 1.850 ações de sensibilização, que envolveram mais de 67.100 crianças e jovens, na sua maioria em contexto escolar — um acréscimo de 23% face ao período letivo anterior.

Sinais de alerta

A Guarda alerta que muitos sinais são discretos e por isso pede atenção redobrada de pais, professores e cuidadores. Entre as alterações que podem indicar problemas estão:

Adulto a ouvir uma criança num ambiente doméstico tranquilo
A escuta ativa dos pais é essencial para detetar sinais de bullying.

  • mudanças de humor ou isolamento;
  • queixas físicas persistentes (dores de cabeça, dores de estômago, perturbações do sono);
  • irritabilidade, ansiedade ou sinais de abatimento físico e psicológico;
  • lesões inexplicadas ou alterações no comportamento social.

Como agir e prevenir

A GNR sublinha a importância de promover a regulação emocional, a resiliência e a empatia, além de criar redes de apoio internas nas escolas. “Tal como acontece com a saúde física, também a saúde mental exige cuidado e atenção”, afirma a corporação.

O papel da família, dos pares e da comunidade escolar — nomeadamente professores e psicólogos — é considerado determinante. A GNR recomenda um “acompanhamento atento” e defende que procurar apoio psicológico ou médico seja visto como “um gesto de coragem e autocuidado”.

Aspecto jurídico

Embora o bullying não esteja tipificado na legislação penal como crime autónomo, a GNR lembra que estes comportamentos costumam estar associados a crimes como ofensas à integridade física, injúrias, ameaça e coação. As duas primeiras categorias são as mais frequentes nos registos apresentados.

Orientações práticas para jovens e famílias

No Dia Mundial de Combate ao Bullying a GNR apelou aos jovens para não serem cúmplices: denunciar situações, promover respeito e inclusão e recorrer a estratégias de segurança, como deslocar-se acompanhados e evitar locais isolados. Em contacto direto com agressores, o conselho é não ceder e agir com firmeza.

No caso de ciberbullying, a corporação recomenda conservar provas (mensagens e conteúdos ofensivos), não responder às provocações, não partilhar o material e formalizar a denúncia.

Também dirige um apelo aos encarregados de educação: manterem-se envolvidos na rotina escolar e online das crianças, reportarem suspeitas e preservarem evidências.

Por fim, a GNR reforça a importância da escuta ativa: criar um ambiente em que os jovens se sintam seguros para contar as suas experiências e ver os seus sentimentos validados, mesmo quando não há soluções imediatas.

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