Mudaram da Flórida para a Grécia e dizem não querer regressar

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Jeffrey Davidson e Walter Zak venderam a casa e o Corvette, fizeram as malas e, sem nunca terem visitado, compraram por 400 mil euros uma propriedade no Peloponeso. Quatro meses depois, dizem ter encontrado na Grécia o ritmo de vida que procuravam e não planeiam regressar aos Estados Unidos.

Uma mudança planeada depois de décadas na Florida

O casal, que viveu em Orlando durante cerca de 30 anos, trabalhou na hotelaria e decidiu antecipar a reforma em busca de uma experiência diferente. Jeffrey, 62 anos, e Walter, 57, conheceram-se há 32 anos e acabaram por transformar uma ideia de viagem numa mudança radical.

Após um cruzeiro de dez dias pelas ilhas gregas em 2024 — quando também visitaram Salónica, cidade natal do avô de Walter — os dois apaixonaram-se pelo país. A experiência fez nascer a hipótese de residir na Grécia, que ganhava peso sobretudo pela ascendência grega de Walter e pelo estilo de vida mais calmo.

Do Corvette ao contentor: reduzir e recomeçar

Para viabilizar a mudança, venderam o Corvette e a antiga moradia de três pisos. Partiram em abril com apenas dez malas e enviaram o restante em contentor para a Europa.

Contentores e caixas de mudança prontos para serem enviados para a Europa.
O casal vendeu a maioria dos pertences e enviou o restante num contentor.

Depois de avaliar várias localidades, escolheram Akrata, no Peloponeso, por oferecer um clima mais quente. Adquiriram à distância uma casa em Platanos por 400 mil euros — uma decisão tomada com base em pesquisas e na elegibilidade para o Golden Visa grego, que permite residir na UE mediante investimento imobiliário (o montante mínimo varia conforme a região e o tipo de imóvel).

Chegada e ajustes práticos

Ao aterrarem em Atenas e seguirem de carro até à nova casa, foram recebidos por uma sensação de realização. Jeffrey recordou-se a sentar-se na relva e a exclamar: “Não consigo acreditar que vivemos aqui. É a coisa mais extraordinária que alguma vez vi.”

Os primeiros meses exigiram muita aprendizagem prática: contratar serviço de Internet, comprar telemóveis locais, arranjar um carro e localizar abastecimento de gás propano. Compraram a propriedade já mobilada, pelo que até à chegada do contentor sentiram-se, nas palavras deles, a viver “no Airbnb de outra pessoa”.

Integração local e hospitalidade

Embora a casa seja isolada, a receção da comunidade tem sido calorosa. Moradores da região mostram-se entusiasmados por saber que são residentes permanentes e não visitantes sazonais. “Os habitantes locais ficam radiantes e dizem: ‘Estão mesmo a abraçar a Grécia'”, contou Walter.

Jeffrey e Walter destacam também o modo de servir nos restaurantes locais: atendimento junto à mesa, refeições que se prolongam e uma sensação geral de desaceleração. Isso contrariou hábitos anteriores. Lembram-se de chegar para jantar às 19h e serem surpreendidos, porque em muitas zonas da Grécia se come mais tarde.

Adaptações culturais e língua

O casal tentou aprender grego e frequentou um curso de uma semana. Ainda assim, admitiram que o idioma tem vindo a ser um desafio e compararam o processo a “um regresso à escola primária”.

Tem por enquanto contado com a vantagem de que muitas pessoas, sobretudo os mais jovens, falam inglês. Ainda assim, esforçam-se por praticar o idioma sempre que têm oportunidade, sobretudo em refeições fora de casa.

Rotina mais lenta e nova perspetiva

Quatro meses após a mudança, descrevem a vida na propriedade — que inclui uma casa principal com um quarto e um apartamento de hóspedes, e oferece uma “vista maravilhosa sobre o Golfo de Corinto” — como calma e recompensadora. Jeffrey resume: “Era a localização perfeita. O preço perfeito. E tudo tem corrido lindamente para nós.”

Casa com terraço com vista para o Golfo de Corinto ao entardecer.
A propriedade em Platanos oferece uma vista maravilhosa sobre o Golfo de Corinto.

Desde abril não regressaram à Florida, mas já receberam visitas de familiares e amigos. Para ambos, a mudança trouxe a possibilidade de desacelerar, apreciar pequenas coisas e viver sem a pressa que dominava o quotidiano nos Estados Unidos.

O futuro — sem pressas

Por agora, não imaginam um regresso definitivo. Walter afirma que “nunca se deve dizer nunca”, enquanto Jeffrey, em tom bem-humorado, comenta: “Ele pode ir. Eu fico.”

A história do casal ilustra como, para alguns reformados, uma combinação de afinidade cultural, elegibilidade para programas de residência e vontade de simplificar a vida pode traduzir-se numa mudança abrupta e numa reconfiguração do dia a dia. Para Jeffrey e Walter, essa aposta deu até agora certo.

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