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No Dia Mundial da População, um dado sobressai além de tabelas e mapas: cresce a distância entre o número de filhos que jovens desejam ter e o número que conseguem. Um relatório do UNFPA aponta que essa diferença não é apenas uma opção individual, mas resultado de barreiras sociais e económicas bem identificáveis.
Os números mostram uma tendência persistente
A Europa registra, em média, 1,38 filhos por mulher, muito abaixo do nível de substituição geracional estimado em 2,1. Portugal acompanha essa tendência: em 2024 a taxa de fecundidade situou-se em 1,4 filhos por mulher, cenário que explica o termo usado por demógrafos — “inverno demográfico”.
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Pressões económicas e sociais explicam grande parte do problema
O UNFPA e a YouGov conduziram um inquérito em 14 países que, juntos, representam 37% da população mundial. A pesquisa revela que as restrições financeiras são, de longe, a razão mais apontada: 39% dos entrevistados citam questões económicas como o principal motivo para terem menos filhos do que desejariam.
Além do custo de vida, entram na equação a desigualdade de género, a insegurança no emprego, o receio provocado pelas alterações climáticas e os conflitos armados. Outro fator constante é a carga desigual do trabalho doméstico e dos cuidados, que pesa sobretudo sobre as mulheres e dificulta a concretização da maternidade.
Tratamentos reprodutivos e preservação da fertilidade
Perante esse quadro, o UNFPA defende que o acesso a intervenções como a fertilização in vitro, a injeção intracitoplasmática de espermatozoides, o recurso a gâmetas de dadores e a preservação da fertilidade não deve ficar limitado a quem pode pagar.
A organização enquadra essas opções como medidas que sustentam direitos centrais: o direito de decidir se e quando ter filhos; a autonomia corporal e a autodeterminação reprodutiva; e o direito de constituir família independentemente de género, orientação sexual ou estado civil.
O que está em jogo
Se o objetivo é reduzir o hiato entre o número desejado e o número real de filhos, o relatório sublinha uma conclusão direta: é preciso garantir acesso equitativo à saúde reprodutiva, sem barreiras relacionadas com rendimentos, local de residência ou idade. Para muitos especialistas consultados pelo UNFPA, essa é uma peça essencial para inverter a tendência demográfica.











