Feito histórico por eles abre caminho para outro por Koné — crónica Canadá–Qatar

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O Canadá registou a sua primeira vitória em Campeonatos do Mundo ao esmagar o Qatar por 6-0 em Vancouver, num encontro marcado por duas expulsões que deixaram a equipa de Julen Lopetegui a jogar com nove elementos. O resultado coloca os canadianos na liderança do Grupo B, à frente da Suíça pelo saldo de golos.

Antes do apito inicial houve outro capítulo desta história: segundo a Associated Press, o governo do Qatar organizou e pagou a deslocação de cerca de mil adeptos até ao Canadá. Os viajantes chegaram em voos fretados atribuídos ao emir Tamim bin Hamad Al Thani, ficaram alojados em hotéis de luxo e tiveram todas as despesas cobertas pelo Fundo de Contribuição Social e do Desporto do país, em parceria com a federação qatari. Entre os convidados estavam também jovens estudantes do Qatar a residir nos EUA e no Canadá.

“Antes de tudo, quero agradecer a todos os que fizeram o esforço de viajar até aqui. Estamos muito conscientes da responsabilidade que temos. Vamos fazer tudo o que for possível para que saiam felizes do estádio, para que fiquem orgulhosos de nós”, disse o capitão qatari Abdulaziz Hatem, antes do jogo.

Como se desenrolou o jogo

O Qatar entrou no jogo depois do empate com a Suíça, enquanto o Canadá chegava de um empate inicial com a Bósnia. Julen Lopetegui apostou em nomes como Edmilson Junior, Akram Afif e Assim Madibo no ataque, com Pedro Miguel a compor a defesa. Jesse Marsch começou com Cyle Larin e Jonathan David na frente, optando por deixar Alphonso Davies no banco e confiando em Stephen Eustáquio no meio-campo.

O primeiro tempo foi quase todo do Canadá. Cyle Larin abriu o marcador aos 16 minutos, aproveitando a recarga a um remate de David que o guarda-redes desviou. Jonathan David fez o segundo aos 29 minutos com um remate de primeira, e bisou já nos descontos (45+3′) na sequência de outra recarga. Pelo meio, o Qatar ficou reduzido a 10 após a expulsão direta de Homam Ahmed, deixando a equipa de Lopetegui em clara desvantagem ao intervalo.

No segundo tempo o cenário piorou para os visitantes. Uma falta de Assim Madibo sobre Ismael Koné provocou uma lesão grave do médio canadiano, que saiu do relvado de maca embora consciente. Madibo, inicialmente advertido com amarelo, viu o cartão vermelho após intervenção do VAR, o que deixou o Qatar com nove jogadores ainda com grande parte do jogo por disputar.

Com superioridade numérica, o Canadá ampliou a vantagem. Nathan Saliba, já como suplente, marcou de livre direto aos 64 minutos, Jacob Shaffelburg fez o quinto aos 75 e Jonathan David completou o hat-trick aos 90+2′.

Impacto e consequências

O triunfo por 6-0 representa a primeira vitória de sempre do Canadá em fases finais de Campeonatos do Mundo e iguala um marco estatístico: a seleção marcou mais golos num único jogo do que havia somado em todas as participações anteriores no Mundial. Depois desta ronda, os canadianos têm quatro pontos, os mesmos da Suíça, mas lideram o Grupo B pelo critério dos golos marcados.

Além do resultado, a vitória tem implicações logísticas para a seleção norte-americana: se mantiver a liderança do grupo, garantirá jogos em casa em Vancouver nas fases a eliminar mencionadas pela organização — tanto nos 16 avos de final como, se avançar, nos oitavos.

Figuras do encontro

  • Jonathan David — O avançado da Juventus foi a referência ofensiva do Canadá. Marcou um hat-trick e assumiu-se como peça central da equipa de Jesse Marsch, contrastando com os minutos mais limitados que teve sob Luciano Spalletti na época passada.
  • Ismael Koné — O médio do Sassuolo destacava-se pelos primeiros minutos do torneio e vinha a ganhar atenção de mercado. A lesão sofrida durante o encontro evita já a sua participação no que resta da competição.

Leitura final

O resultado expôs fragilidades do Qatar além das circunstâncias que o deixaram em inferioridade numérica. Mesmo antes das expulsões, o Canadá já conduzia o marcador e controlava o jogo. Para os anfitriões do Mundial 2026, a prova mais recente mostra que haverá trabalho pela frente para recuperar a coesão e a eficácia coletivas.

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