Teatro dos Aloés estreia peça original sobre como o poder corrompe

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O Teatro dos Aloés estreou nos Recreios da Amadora a peça original A Camaleoa, inspirada em Júlio César, de William Shakespeare. A montagem propõe uma reflexão sobre o exercício do poder e a sua capacidade de corromper, segundo a encenadora Elsa Valentim.

Uma revisita ao poder

A autora do texto é a atriz e dramaturga Carolina Campanela, a quem Elsa Valentim encomendou uma peça nova. Valentim diz ter recebido a primeira versão praticamente como peça acabada e optou por manter o texto quase sem alterações.

O trabalho parte do embrião shakespeariano para explorar como o poder transforma quem o detém, mesmo quando as intenções iniciais parecem boas. A proposta evita a reprodução literal da tragédia e prefere um olhar contemporâneo sobre a corrupção das ambições.

Metateatro e camadas cénicas

Em cena, a peça assume uma estrutura metateatral. Há, segundo a encenadora, uma companhia que decide montar Júlio César e, ao fazê-lo, enfrenta conflitos internos.

Veteranos e atores mais jovens defendem visões distintas da encenação, gerando um contraponto criativo que se manifesta em três níveis de representação em simultâneo. O resultado é uma peça que joga com o teatro dentro do teatro.

Elenco e colaborações

O elenco reúne seis intérpretes: Patrícia André, Jorge Silva e Graciano Amorim, nomes do elenco fixo dos Aloés. Integram ainda a montagem Raquel Oliveira — apontada como protagonista — assim como Joana Batalha e Sofia Pinto, que já haviam trabalhado com a companhia.

Valentim destaca afinidades criativas com estas atrizes e a confiança na sua capacidade de dar voz a uma geração mais interessada pela novidade artística.

Calendário de apresentações

A Camaleoa fica em cena nos Recreios da Amadora até domingo, dia 22 de junho. Em julho, a digressão passa por Sines, Santo André e Santiago do Cacém.

Em outubro, a peça terá três sessões no Cineteatro D. João V, na Damaia, integrando assim a agenda da companhia ao longo do ano.

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