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Uma análise da Morningstar DBRS aponta que a eficácia da centralização dos direitos televisivos do futebol masculino em Portugal dependerá, acima de tudo, da execução e da capacidade de ampliar o apelo do produto além-fronteiras. A consultora alerta que a mudança estrutural por si só não garante ganhos automáticos para todos os clubes.
O desafio da centralização
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A centralização é frequentemente defendida como forma de aumentar receitas e simplificar a comercialização. No entanto, segundo os analistas da Morningstar DBRS, experiências europeias mostram que uma reforma do modelo de venda não elimina obstáculos como posicionamento de mercado e competitividade entre compradores.
O relatório cita a França como exemplo de que a simples alteração estrutural não evita problemas: o principal escalão francês tem enfrentado instabilidade contratual e uma redução das receitas domésticas de audiovisual ao longo dos últimos anos.
Desigualdade entre clubes e efeitos na visibilidade
Portugal combina produção de talento de alto nível com, segundo a análise, um dos regimes de direitos de transmissão menos eficientes na Europa. As academias do Benfica e do Sporting são destacadas como referências globais, mas o actual modelo descentralizado acentua a desigualdade de receitas entre os clubes.
Essa concentração de receitas limita a monetização agregada da liga e torna mais difícil manter um equilíbrio competitivo. Como consequência, equipas com menos recursos têm menos visibilidade e o apelo geral da competição pode ficar reduzido.
Portugal face às grandes ligas
Os números apresentados pela Morningstar DBRS sublinham a assimetria: as três principais equipas portuguesas representam 68% do valor da comercialização dos direitos audiovisuais da liga. Em comparação, essa fatia é de 31% em Espanha, 29% em França e Itália, 24% na Alemanha e 19% em Inglaterra.

O relatório também refere que o rácio entre o clube com maiores receitas e o valor mediano da liga é de 13,4 vezes em Portugal. Nos restantes mercados analisados, esse rácio é bem mais contido: 3,1 vezes em Espanha, 2,7 em França e Itália, 1,7 na Alemanha e 1,3 em Inglaterra.
Potencial de mercado e expectativas
De acordo com a estimativa da UEFA citada pela Morningstar DBRS, o mercado português de direitos audiovisuais está avaliado em cerca de 195 milhões de euros. Esse montante coloca Portugal em patamar próximo de países como Turquia (168 milhões), Países Baixos (164 milhões) e à frente da Bélgica (83 milhões).
Os analistas reforçam que os ganhos esperados com a centralização variam com o tamanho do mercado e o apelo internacional do produto. Em Portugal, onde as receitas internacionais ainda são relativamente pouco desenvolvidas, é crucial aumentar a atratividade da liga para compradores fora do país.
Condições para o sucesso e próximos passos
Segundo a análise, o êxito da reforma dependerá de fatores interligados: desenho e segmentação dos pacotes de direitos, competitividade do processo de venda e capacidade da liga para reforçar o seu alcance nacional e internacional.
Na prática, a transição para um modelo centralizado terá de garantir benefícios estruturais reais. Substituir contratos negociados individualmente por mecanismos de venda coletiva pode reduzir a dependência da capacidade negocial de cada clube e aumentar o potencial de investimento na competição.
Na semana passada, as sociedades desportivas dos campeonatos profissionais aprovaram a proposta da Liga Centralização para distribuir as futuras receitas audiovisuais. O plano combina vários critérios de repartição, que valorizam mérito desportivo, desempenho em competições nacionais, o ranking europeu da UEFA e o historial recente na I Liga.












