Influencer de Barcelos vê queixas arquivadas pelo Ministério Público

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O Ministério Público arquivou as queixas contra o influenciador João Barbosa, conhecido como Numeiro, sobre declarações lançadas nas redes sociais sobre o aborto. A decisão, segundo o órgão, apoia-se na proteção à liberdade de expressão, apesar de classificar as palavras como polémicas e potencialmente ofensivas.

Motivo das denúncias

As queixas surgiram depois de uma publicação em que o criador de conteúdo fez comentários depreciativos sobre mulheres e afirmou que o aborto não devia ser usado como método contraceptivo. Entre os queixosos estava a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CCIG), que apresentou uma participação ao Ministério Público.

Publicação polémica num telemóvel com comentários ofensivos visíveis
Publicação do criador de conteúdo que originou as queixas.

Fundamentação do arquivamento

O procurador responsável, Jorge Barbosa Teixeira, considerou que, embora as expressões tenham sido «polémicas» e «eventualmente desagradáveis», não houve crime. Foram avaliados indícios relativos a possíveis crimes de discriminação, incitamento ao ódio e à violência, mas o magistrado entendeu que faltavam elementos para formalizar acusações.

Mesa do procurador com processo e martelo simbólico
Despacho do Ministério Público fundamentou o arquivamento na liberdade de expressão.

No despacho, o procurador sublinha que o suspeito não criou nem integrou qualquer organização e que não se verificou apologia, negação ou banalização grosseira de crimes contra a humanidade, categorias que, se presentes, poderiam justificar outra tipificação. Por fim, reafirmou o papel central da liberdade de expressão numa democracia ao decidir pelo arquivamento.

Resposta do influenciador

Após a decisão, João Barbosa publicou um vídeo onde aparece a dançar e questiona, de forma irónica, onde estariam as pessoas que apresentaram as queixas — referindo-se, disse ele, às «300 feministas» que o denunciaram.

Com o arquivamento, a investigação criminal sobre estas declarações fica encerrada pelos serviços do Ministério Público, sem origem a processo penal.

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