Ex-príncipe André indemnizado em 356 mil euros por ter deixado a residência de Windsor

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O irmão do rei Carlos III, André Mountbatten-Windsor, recebeu uma indemnização de 302 mil libras (356.360 euros) pelo retorno antecipado da mansão conhecida como Royal Lodge, onde vivia com uma renda simbólica. A decisão surge no contexto do escândalo ligado às suas relações com o norte‑americano Jeffrey Epstein e de uma investigação policial em curso.

Quanto foi pago e por que motivo

O pagamento de 302 mil libras foi autorizado pelo Património da Coroa após André devolver a propriedade antes do fim do contrato inicial, que tinha duração prevista de 25 anos. Segundo o acordo contratual, essa devolução antecipada dava-lhe direito a uma compensação.

Contratos e documentos sobre devolução antecipada de propriedade
Documento contratual que prevê compensação por entrega antecipada da residência.

O organismo responsável — o Crown Estate — declarou que, com a devolução, está a concentrar-se em definir o uso futuro do imóvel e em procurar formas de gerar «valor económico adicional» para o país, nas suas palavras.

O que é o Crown Estate e para onde vão as receitas

O Crown Estate é um conjunto de bens imobiliários detidos em nome do monarca no exercício do seu cargo, mas não constituem propriedade privada do soberano. Estas propriedades não podem ser vendidas pelo rei nem pertencem diretamente ao Governo.

As receitas provenientes desse património reverteram para o Tesouro britânico e são utilizadas no financiamento das despesas públicas.

Investigação e alegações de partilha de informações

André foi pressionado a abandonar a Royal Lodge após surgirem alegações de que terá facultado documentos governamentais confidenciais a Jeffrey Epstein enquanto exercia funções como enviado especial do Reino Unido para o Comércio, entre 2001 e 2011.

Polícia junto a uma casa durante buscas judiciais
As buscas às propriedades foram consideradas ilegais pelo Supremo Tribunal.

A polícia investiga agora a eventual entrega desses documentos ao falecido Epstein, acusado nos Estados Unidos de tráfico sexual de menores e de gerir uma rede de exploração de adolescentes.

O duque foi detido a 19 de fevereiro sob suspeita de «má conduta no exercício de funções públicas», depois de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos terem levantado dúvidas sobre a partilha de informações. André nega as acusações; foi interrogado durante um dia e libertado sem que fosse apresentada acusação formal.

Buscas judiciais contestadas

Um dia antes de tornar pública a indemnização, foi divulgado que André e a Polícia do Vale do Tamisa chegaram a acordo com base numa decisão do Supremo Tribunal britânico: as autorizações que permitiram a busca de duas propriedades, em fevereiro, foram consideradas ilegais.

As buscas tinham ocorrido após a sua saída da Royal Lodge e também abrangeram a sua atual residência, Marsh Farm, imóvel que, tal como a anterior morada, foi disponibilizado e é financiado pelo rei.

Apesar do reconhecimento judicial sobre a ilegalidade das buscas, a polícia afirmou que a investigação relativa às suspeitas de má conduta prossegue.

Impacto no estatuto real

Em consequência do escândalo, André mudou-se para uma propriedade em Sandringham, no leste de Inglaterra, e as despesas com essa residência passam a ser suportadas pelo rei — valor que não foi divulgado.

No ano passado, o rei Carlos III também decidiu retirar ao irmão todos os títulos nobiliárquicos como resposta à polémica em torno das suas ligações a Epstein.

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