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Ao receber o Prémio Josep Piqué no Foro La Toja, em Pontevedra, o antigo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa advertiu para uma crise nas relações internacionais e nas democracias. Em tom crítico, defendeu a necessidade de recuperar valores europeus para travar a ascensão dos populismos.
Um diagnóstico duro para a cena internacional
No seu discurso de agradecimento, Marcelo afirmou que o multilateralismo “quase morreu ou hibernou” nos últimos seis anos. Descreveu um cenário marcado pelo que chamou de “inversão de valores ou total ausência de valores” e pelo esvaziamento de organizações internacionais.
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O antigo Chefe de Estado alertou para a prevalência crescente do uso da força sobre o direito e para a prática diária do unilateralismo e do bilateralismo. Referiu ainda que, em mais de uma ocasião, os Estados Unidos puseram em causa a aliança histórica com a Europa.
Riscos tecnológicos e incertezas políticas
Marcelo também falou sobre os efeitos da corrida ao controlo da Inteligência Artificial, prevendo que essa luta poderá agravar as desigualdades entre países. O tema surge, disse ele, como um novo eixo de conflito internacional.

O ex-presidente fez uma referência implícita às eleições intercalares dos EUA, ao citar uma “clarificação muito importante, quem sabe se decisiva”, que deverá ocorrer dentro de um mês. As eleições, ou midterm elections, estão marcadas para 3 de novembro e podem influenciar a composição do Congresso norte-americano.
Reforçar o património europeu como resposta
Para contrariar a crise das democracias e a subida do populismo, Marcelo propôs a “reafirmação do património espiritual da Europa” como alicerce. A seu ver, esse legado tornou o continente um modelo singular no mundo.
Enumerou, entre os valores a recuperar, a dignidade da pessoa, o primado do Estado de Direito, a economia social de mercado e a busca pela justiça e felicidade coletiva — motivos, disse, porque muitos procuram a Europa.
Cerimónia e elogios
O prémio foi entregue pelo rei de Espanha, Filipe VI, que elogiou o “caro amigo Marcelo” e recordou os conselhos do antigo presidente. Também estiveram presentes o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, e o ex-chefe do Executivo Mariano Rajoy.
No final do discurso, Marcelo deixou uma advertência sobre a transitoriedade das potências globais: “nada é eterno e os impérios não são eternos também”.











