RD Congo, adversário de estreia de Portugal no Grupo K, disputa algo além do futebol

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Axel Tuanzebe passou pelo Manchester United e chegou a vestir a braçadeira nas camadas jovens. Agora, o defesa assume papel central num regresso histórico: a RD Congo vai voltar a um Mundial após uma ausência de 52 anos, num percurso marcado por emoção e significado nacional.

O momento decisivo

A vaga para a fase final ficou selada nos instantes finais do duelo de desempate com a Jamaica. Aos 100 minutos, um desvio com a barriga acabou por valer o golo que confirmou a presença dos Leopardos no Mundial — e elevou Tuanzebe à condição de figura homenageada por muitos congoleses.

Jogador celebra golo nos instantes finais de um jogo decisivo
O golo decisivo nos minutos finais selou a presença da RD Congo no Mundial.

Para além do impacto desportivo, o êxito tem um peso simbólico. A região de Ituri enfrenta um surto de ébola que, segundo a ONU em maio, já causou a morte de mais de 80 pessoas, e o país carrega décadas de instabilidade. A seleção funciona, para muitos, como um motivo de esperança em tempos difíceis.

Caminho até à qualificação

A equipa soma apenas uma derrota nos últimos 12 jogos e chega ao torneio com uma mistura de talento individual e organização tática. A conquista do lugar no Mundial não passou apenas pelo playoff intercontinental; teve etapas na fase de qualificação africana.

  • 2.º lugar do Grupo B da CAF — 22 pontos em 10 jogos (Senegal, Sudão, Togo, Mauritânia e Sudão do Sul).
  • Segunda fase da CAF: vitória sobre Camarões (1-0) e confronto com a Nigéria (1-1 e 4-3 g.p.).
  • Playoff intercontinental: triunfo sobre a Jamaica por 1-0 a.p., no encontro decisivo.

Fatos rápidos

  • Ranking FIFA (abr. 2026): 45.º
  • Melhor ranking: 28.º (ago. 2017)
  • Patrocinador: Umbro
  • Alcunha: Os Leopardos
  • Presenças em fases finais: 1 (última: 1974, como Zaire)
  • Melhor resultado: Fase de grupos em 1974 (enfrentou Escócia, Jugoslávia e Brasil)
  • Objectivo realista: visar a passagem à fase a eliminar

Resultados desde junho de 2025

  • 03/06: Dinamarca (partida particular, neutro) 0-0 (E)
  • 31/03: Jamaica (qualificação playoff intercontinental, neutro) 1-0 (V)
  • 25/03: Bermudas (partida particular, neutro) 2-0 (V)
  • 06/01: Argélia (CAN, neutro) 0-1 (D)
  • 30/12: Botsuana (CAN, neutro) 3-0 (V)
  • 27/12: Senegal (CAN, neutro) 1-1 (E)
  • 23/12: Benim (CAN, neutro) 1-0 (V)
  • 16/12: Zâmbia (partida particular, casa) 2-0 (V)
  • 16/11: Nigéria (Qualificação CAF, neutro) 1-1 e 4-3 g.p. (V)
  • 13/11: Camarões (Qualificação CAF, neutro) 1-0 (V)
  • 14/10: Sudão (Qualificação CAF, casa) 1-0 (V)
  • 10/10: Togo (Qualificação CAF, fora) 0-1 (V)
  • 09/09: Senegal (Qualificação CAF, casa) 2-3 (D)
  • 05/09: Sudão do Sul (Qualificação CAF, fora) 1-4 (V)
  • 08/06: Madagáscar (partida particular, neutro) 3-1 (V)
  • 05/06: Mali (partida particular, neutro) 1-0

Estrutura de jogo e onze provável

O esquema apresentado com maior frequência é o 4-4-2, que combina solidez defensiva e atacantes móveis. Um dos onzes mais utilizados inclui:

Quadro tático com formação 4-4-2 num treino de futebol
O 4-4-2 é o esquema mais usado pela seleção congolense.

  • 4-4-2: Lionel Mpasi; Aaron Wan-Bissaka, Axel Tuanzebe, Chancel Mbemba, Arthur Masuaku; Nathanael Mbuku, Noah Sadiki, Sam Moutoussamy, Meschack Elia; Yoane Wissa e Cédric Bakambu.

O treinador

Sébastien Desabre, treinador francês de 49 anos, lidera a seleção. O percurso do técnico inclui passagens por clubes e seleções em África e Europa — desde ASEC Mimosas e Coton Sport até Uganda e Pyramids.

No currículo constam seis títulos nacionais e supertaças em diferentes campeonatos africanos, assinalando experiência em competições continentais e capacidade de adaptação a contextos diversos.

Figuras a observar

Yoane Wissa (29 anos), avançado ao serviço do Newcastle, é apontado como a referência ofensiva. A sua experiência em França e Inglaterra alimenta a capacidade goleadora da equipa.

Noah Sadiki (21 anos), médio do Sunderland, surge como a principal revelação jovem; já passou por clubes como Anderlecht e Union St. Gilloise.

Chancel Mbemba aparece como o mais internacional (108 jogos). O artigo original cita Dieumerci Mbokani como o maior goleador, com a indicação “22 anos” — informação mantida conforme a fonte.

Convocados

  • Guarda-redes (3): Lionel Mpasi (Le Havre), Timothy Fayulu (FC Noah) e Matthieu Epolo (Standard Liège).
  • Defesas (9): Joris Kayembe, Aaron Wan-Bissaka, Chancel Mbemba, Gédéon Kalulu, Arthur Masuaku, Steve Kapuadi, Axel Tuanzebe, Dylan Batubinsika e Rocky Bushiri.
  • Médios (8): Noah Sadiki, Aaron Tshibola, Charles Pickel, Edo Kayembe, Ngal’ayel Mukau, Sam Moutoussamy, Gaël Kakuta e Brian Cipenga.
  • Avançados (6): Theo Bongonda, Meschack Elia, Cédric Bakambu, Fiston Mayele, Yoane Wissa e Simon Banza.

Base de preparação

O estágio realizou-se em Houston, Texas, com alojamento no Omni Houston Hotel e treinos no Houston Sports Park — escolha logística que visa adaptar a equipa ao calendário e às condições da competição.

Ligação a Portugal

Vários jogadores têm historial no futebol português. Chancel Mbemba jogou pelo FC Porto entre 2018 e 2022. Simon Banza e Yannick Bolasie também passaram por clubes nacionais: Banza vestiu as cores do Sp. Braga (e tinha histórico em Famalicão), enquanto Bolasie chegou ao Sporting na janela de 2019.

O encontro de estreia no Mundial-2026, marcado para 17 de julho, será a primeira partida oficial entre RD Congo e Portugal — um motivo adicional de curiosidade para quem acompanha o duelo entre as duas Seleções.

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