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Edição de 13-05-2011

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Arquivo: Edição de 24-12-2010

SECÇÃO: Opinião

fotoContra Ventos e Marés
O relatório da OCDE sobre o ensino

De facto a sorte não existe e tem de haver trabalho e dedicação. Nesse aspecto estamos de acordo. Mas não só. Acrescentarei forte empenho e sacrifício. Isso os professores não encontram em muitos e muitos alunos que frequentam as nossas escolas que só querem facilidades, jogos no computador e pouca maçada.
O relatório deste organismo, vindo a lume há poucos dias, contemplou o nosso país como aquele que se aproximou dos países mais avançados e profícuos no campo das literacias de leitura, de matemática e de ciências. Certamente que a subida de quatro posições no ranking da educação, não deixando de ser, a priori, um bom indício na putativa evolução da aprendizagem dos nossos alunos não deixará, contudo, de suscitar dúvidas quanto à sua fiabilidade. E isto porquê? Tudo leva a crer que os alunos foram escolhidos “a dedo” nas escolas seleccionadas não resultando de uma escolha aleatória. Daí que os resultados tenham sido “generosos”. Segundo o “PÚBLICO”, o Ministério da Educação não facultou a lista das 212 escolas seleccionadas pela OCDE (o que é estranho), referindo que “há um contrato de confidencialidade”. Ora, numa sociedade aberta e dita democrática a transparência de processos deve ser norma para que não se instalem dúvidas.
Na verdade, existem muitos e muitos alunos que frequentam o 5º e o 6º anos que exibem padrões de leitura e cálculo matemático ao nível do 1º, 2º e 3 ano da escola primária! Depois, vão progredindo nos 7º,8º e 9º anos e os défices continuam pois já vêm de trás. E chegados ao 10º ano deparamos com alunos mal preparados(as), sem os requisitos que seria suposto estarem adquiridos que não encontram dificuldades de maior em atingir outros patamares que desembocam na obtenção do glorioso 12º ano. Sem o rigor literário e científico, sem o background dos alunos do antigo 7º ano dos liceus (hoje corresponde ao 11º ano). Por isso não deixará de ser surpreendente o foguetório e o embandeirar em arco que estes resultados da OCDE provocaram em certas criaturas ingénuas e desprecavidas (uma delas, natural de Chaves, não perdeu o ensejo para parabenizar, no PÚBLICO de 17/12, uma senhora de seu nome Maria de Lurdes que foi presenteada com duas megamanifestações - no total mais de 200 mil pessoas -que contribuíram para que saísse do poder pela porta dos fundos). De facto a sorte não existe e tem de haver trabalho e dedicação. Nesse aspecto estamos de acordo. Mas não só. Acrescentarei forte empenho e sacrifício. Isso os professores não encontram em muitos e muitos alunos que frequentam as nossas escolas que só querem facilidades, jogos no computador e pouca maçada. Antes do 25 de Abril (finais dos anos 60 e princípio dos anos 70) a qualidade do ensino chegava a todos que efectivamente quisessem estudar a valer. Quanta gente de origem sócio-económica desfavorecida trilhou os caminhos do sucesso educativo (com bolsas de estudo)! Simplesmente este sucesso era a sério. Não o embuste e a farsa que hoje representa. Nos dias que correm sobrecarregam-se os professores com trabalho insano enredando-os nas execráveis teias de uma burocracia crescente e, por consequência, transformando-os, fundamentalmente, em amanuenses (e burocratas) com o papel secundaríssimo de darem aulas.O encanto de uma profissão que já foi digna e respeitada está desvanecendo-se. Neste instável e imprevisível mundo globalizado que mais não é do que uma forma de adaptabilidade do capitalismo num mundo em permanente mutabilidade, a educação deveria ser um estado de alma e uma exigência profunda de uma sociedade que, infelizmente, está doente. Por isso não será despiciendo referir que existe uma quota parte de responsabilidade dos pais na educação. Os hábitos de estudo e de concentração que as novas tecnologias vieram alterar (e perturbar), os métodos de trabalho, a noção dos valores, aprendem-se perto do berço, no seio da família, instituição que, em muitos aspectos, se está desagregando. Esses valores, a escola, depois, sustenta-os e amplia-os. Está muito longe de o fazer com um mínimo de excelência (só por mero expediente estatístico) servindo uma sociedade que não sabe para onde quer ir.





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