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SECÇÃO: Chaves
Rapidez com que o fogo consumiu a habitação espantou moradores
Incêndio deixou casal de Santa Maria de Émeres sem haveres
Na tarde do passado domingo, um incêndio destruiu o interior de uma casa em Santa Maria de Émeres, deixando um casal sem os haveres que foi adquirindo ao longo da vida. As verdadeiras causas do incêndio ainda estão por apurar. No entanto, presume-se que o fogo possa ter sido originado por um curto-circuito ou tido origem num aquecedor.
Aos 50 anos, Miguel Alcoforado “não tinha dinheiro”, mas tinha “uma boa casa”. Só nas últimas obras que fez na cozinha, gastou mais de 5 mil euros. No domingo, em menos de meia hora ficou sem nada. Um incêndio cuja origem ainda está por apurar, mas que, presume-se, possa estar relacionado com um curto-circuito ou com um aquecedor que estaria ligado, destruiu o interior da habitação. Miguel não se conforma. Dois dias depois, ainda tem a voz embargada. “Tinha uma casa boa e fiquei com uma mão cheia de nada!”, desabafou, ao Semanário TRANSMONTANO, lembrando as colecções de livros que foi comprando ao longo da vida e que ficaram reduzidas a cinzas. “Tinha comprado, a prestações, um plasma agora para o Natal. Vou estar a pagá-lo até ao Verão!”, continuava, inconformado, o agricultor. Miguel tinha um seguro contra incêndio, mas teme que a indemnização não chegue para reconstruir a habitação. “Se a Câmara me ajudasse a pôr o telhado, com o do seguro já dava para fazer o resto”, dizia, ciente que, apesar de todas as ajudas, jamais recuperará as recordações que guardava na habitação.
O incêndio terá deflagrado por volta das 16h20. Miguel tinha saí-do de casa há minutos. Ainda mal tinha chegado ao café, já a vizinhança estava a gritar que havia fogo. “Coitado! Tivemos que o agarrar, queria ir lá para dentro! Só gritava: ‘ai Zeza que fico sem nada!”, recordava, Maria José, garantindo que nunca viu um incêndio assim. “Aquilo parecia que alguém andava a regar com gasolina. Em pouco tempo ardeu tudo. Só visto!”, contava. Outro morador também se mostrava espantado com a rapidez com que o fogo devorou a casa. “Eu tenho a impressão que nem que os bombeiros estivessem aqui no largo conseguiam salvar a casa”, afirmava.
Augusto Teixeira, de 70 anos, só soube da “desgraça” de Miguel no dia seguinte, porque estava para Valpaços. Depois de o estado em que a casa ficou veio-lhe à cabeça uma ideia que não concretiza porque ninguém lhe dá ouvidos. “Já ando para aí há dez anos a dizer que, em vez de se gastar tanto dinheiro em festas, se devia fazer uma colecta para acorrer em casos de necessidade como este, mas ninguém liga”, lamentava. “E olhe que ele merece ser ajudado! Se aparecer um pobre e lhe pedir a camisa ele tira a dele para lha dar”, garantia Augusto.
Por enquanto, o casal vai ficar a morar na casa da esposa de Miguel, numa aldeia vizinha.
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