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Edição de 13-05-2011

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SECÇÃO: Chaves

Obra de abastecimento está em curso ao fim de mais de 20 anos de promessas
Aldeia de Faiões ainda tem bairro sem água da rede

fotoEm Faiões, aldeia quase colada à cidade de Chaves, há um bairro, onde moram mais de 30 pessoas, que ainda não têm água da rede pública. Depois de mais de 20 anos de promessas, a obra de abastecimento só agora está em curso. Para remediar a situação, os moradores fizeram poços particulares, mas água tem ferro a mais, estraga os electrodomésticos, deixa a roupa amarela e não serve para beber.
Na aldeia de Faiões há uma promessa que anda na boca dos candidatos à Junta de Freguesia há pelo menos 20 anos e que hoje ainda está por cumprir: o abastecimento de água ao Bairro da Floresta, um aglomerado de casas que nasceu, clandestinamente, na parte mais alta da localidade.
Hoje, viverão no bairro mais de 30 pessoas. A água nunca chegou. A anterior Junta de Freguesia, aproveitando os rasgos para a instalação de saneamento básico, chegou a colocar a tubaria para a água, mas ficou a faltar a ligação ao depósito, que fica numa cota inferior às habitações e que por isso necessita de ser puxada por um sistema de bombeamento. A actual junta recomeçou recentemente a obra e espera de concluí-la brevemente. “Nós estamos aqui para resolver os problemas e já estamos a trabalhar nisso”, garantiu, ao Semanário TRANSMONTANO, o presidente da Junta de Freguesia, Octávio Machado, que cumpre o seu primeiro ano de mandato. Em sintonia com o presidente da Junta, o presidente da Câmara de Chaves, João Batista, garante que o “problema já está a ser resolvido”. “Quando dizemos que a educação é uma prioridade é verdade, mas a água é fundamental, nós sabemos, e estamos a tratar disso”, assegura Batista, revelando que o atraso da obra também se deve a alguma indefinição relativa ao facto de as Águas de Trás-os-Montes, que asseguram o abastecimento de água até ao depósito (em alta), vir também a assumir a distribuição aos consumidores. Ora, se assim fosse, obras como a de Faiões seriam da alçada daquela empresa e não da autarquia.
Certos para já têm sido, e continuam a ser, os transtornos que a situação causa aos moradores.
“Eu já vi lá uns buracos, já! Era o que mais queria que fizessem!”, afirma Ana Mosca, farta de prejuí-zos por causa água ferrosa do poço da sua casa. “Já se me estragaram dois esquentadores e duas máquinas de lavar. A água tem muito ferro, depois entope tudo e os electrodomésticos duram pouco”, explica. Além disso, Ana tem que lavar a roupa branca à mão e com água que tem de ir buscar, a balde, à fonte. “Nem imagina como fica se a meter à máquina: toda amarela”. As queixas repetem-se pelos restantes moradores. “A mim, já se me estragaram duas bombas [de puxar a água do poço]. Olhe estamos pior que no terceiro mundo! Se adivinho, não vinha para aqui viver”, disse um morador que preferiu não ser identificado.
Mário Pasqual, de 72 anos, foi dos primeiros a fazer casa no local. Construiu o poço para retirar água com o dinheiro que recebeu de uma indemnização por causa de um acidente da mota. “[O dinheiro] Fazia-me falta para comer, mas antes quis ter água”, lembra Mário, convencido de que é desta que a água da rede chega ao bairro.
No entanto, neste momento, a moradora que mais está a sofrer as consequências da falta de água pública é a jovem Ana Maria, de 34 anos. Sem poço próprio para abastecer a habitação, toda a água que gasta vem dos fontanários públicos. Armazena-a em bidões. “É terrível! Eu sou de Lisboa, já estive na Suíça, e estava habituada a todas as condições, e agora aqui [terra do marido] tenho de andar a tomar banho em alguidares”, lamenta Ana Maria, mãe de três filhos, um dos quais com apenas um ano de idade.
Se desta vez a promessa for cumprida, o martírio dos moradores do Bairro da Floresta poderá terminar em 2011.





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