Semanário Transmontano   
Versão normal " Versão acessível  

Edição de 13-05-2011

Seccões

 

Consulte o Arquivo

 

Arquivo: Edição de 27-08-2010

SECÇÃO: Montalegre

Há sete anos que populações raianas se celebram relações de amizade
Randim e Tourém conviveram na fronteira que nunca existiu

fotoOs barrosões levaram concertinas; os galegos, gaitas de foles. Os do lado de cá serviram churrasco à portuguesa; os do lado de lá, polvo à espanhola. Há sete anos que Tourém e Randim se juntam para mostrar que são “hermanos”.
José Domingues, bancário reformado de 62 anos, recorda Randim quando ele, então “ Zé da Margarida”, “os do Ronnha”, o “Nel da Muda” e o Ribas iam para lá namorar com as espanholas. Devia ter uns 16/17 anos. Iam a pé e levavam o “cego” para tocar a concertina. António Lourenço, o padre Fontes, conheceu Randim, quando começou a dar missa em Tourém, a sua primeira paróquia. Ia a Randim apanhar a carreira para Ourense, onde tirou carta de condução. “O bilhete da carreira custava cem escudos, mas eu levava dois quilos de café [contrabando] e já fazia para a viagem”. José Maria Fernandez, de 39 anos, natural de Randim lembra-se de Tourém quando em criança ia com as vacas para junto da raia e se juntava com Paulo Barroso, hoje presidente a Junta de Tourém. As localidades de Randim e Tourém, separadas por menos de dois quilómetros de terra, sempre estiveram ligadas uma à outra, mesmo quando atravessar a raia era proibido. No domingo, pelo sétimo ano consecutivo, reuniram a meio do caminho para confraternizar. “Este encontro surgiu de uma conversa de café. Se estamos tão perto, se somos tão amigos e se a nossa relação com Randim é tão especial porque não havemos de confraternizar todos?”, explica o presidente da Junta de Tourém. A iniciativa tem vindo ganhar a adeptos. “Já há pessoas que tiram férias nesta altura para estarem na festa”, frisa o autarca. Garcia Mañana, autor de várias obras sobre o Couto Misto, terras que eram partilhadas pelos dois povos do lado da fronteira, vê este encontro como natural. “Estas populações são fruto da mesma história, são galhos da mesma árvore”, diz. Antes do convívio, houve missa. As procissões, de São Pedro (Randim) e de São João (Tourém) encontraram-se na fronteira, onde os santos se abraçaram, um gesto simbólico da união dos dois povos. “É um momento emocionante. Há muita gente com lágrimas nos olhos”, lembra David Teixeira, do Ecomuseu do Barroso.





Topo

Símbolo de Acessibilidade à Web. [D]
Bobby WorldWide Approved AAA
Símbolo de conformidade nível A, Directivas de Acessibilidade ao conteúdo Web 1.0 do W3C-WAI

© - Powered by Ardina.com, um produto da Dom Digital.
Comentários sobre o site: .