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SECÇÃO: Desporto
Presidente da autarquia diz que é “falso”
Futebol - Desportivo de Chaves: Mário Carneiro diz que Câmara não está a pagar a tempo e horas
O actual responsável pelo Grupo Desportivo de Chaves convocou a imprensa para “esclarecer” a situação financeira clube. Mas Mário Carneiro não se ficou pela enumeração das dívidas, aproveitou também para acusar a Câmara de incumprimento na transferência de verbas. “Só gostava de ter o mesmo tratamento que a anterior direcção [presidida por um quadro da Câmara, Marcelo Delgado]”, disse ainda o dirigente. O presidente da Câmara reagiu dizendo que o município tem cumprido com as suas “obrigações” e que é o Clube que não tem apresentado as obrigató-rias justificações para o pagamento de despesas.
Em conferência de imprensa realizada ao final da manhã da passada terça-feira, Luís Mário Carneiro e o seu vice-presidente para a área do futebol, Carlos Teixeira, na sequência da notícia do Semanário TRANSMONTANO que dava conta do risco do Desportivo de Chaves não poder participar no Campeonato Nacional da II Divisão Norte, garantiram não haver razões para alarmismos, se os protocolos forem cumpridos e os sócios pagarem as suas quotas.
Tal como tínhamos noticiado, em causa estão dívidas do clube relacionadas com antigos atletas, que transitaram de anteriores direcções e que a actual direcção não consegue saldar. Em forma de esclarecimento, Mário Carneiro confirmou as dívidas e acrescentou tratar-se de processos, “todos eles da anterior direcção, relativos aos direitos de formação de João Cardoso, Wilson e Castro”. “O Operário dos Açores reclama 7 mil euros, de João Cardoso, o Portossantense quer 6 mil, por Wilson, e no que diz respeito ao Castro é por falta de pagamento da segunda prestação de um processo a que o clube foi condenado a pagar”, esclareceu o dirigente.
Segundo Mário Carneiro, estes são os impedimentos que o clube tem na Federação, mas de fácil resolução, se as tranches do subsídio anual atribuído pela autarquia estivessem a entrar no clube. Ora, segundo Mário Carneiro, não é isso que está a acontecer. De acordo com o presidente do Chaves, a última tranche, de 20 mil euros, foi paga em Junho. O dirigente acusa mesmo a autarquia de estar a tratar esta direcção de forma diferente em relação à anterior, presidida por Marcelo Delgado, quadro da Câmara Municipal de Chaves.
“Gostava de ter o mesmo tratamento por parte da autarquia que a direcção anterior. O protocolo entre o clube e a autarquia refere-se ao ano civil e não à época desportiva. Em 2009, a autarquia, até Maio, transferiu para o clube 208.750 euros, mas de Maio até ao final do ano só deu ao clube 31.250 euros”, revelou. Mas as críticas não se ficaram por aqui. “A nós, estão constantemente a pôr problemas burocráticos e, em 2010, recordo que já estamos em meados de Agosto, ou seja nove meses e não cinco como em 2009, só nos deram 46.800 euros”, frisou o presidente do clube, que garante que a menor tranche entregue à ante-rior direcção (20 mil euros) foi somente a mais alta atribuída à ac-tual direcção.
Quanto à dívida, de 980 mil euros, que o Desportivo de Chaves tem para com Castanheira Gonçalves, motivo pelo qual as contas do clube estão penhoradas, Mário Carneiro continua a garantir que já há um acordo de pagamento, faseado, com o ex-dirigente, no sentido de a penhora ser levantada e o clube poder mexer nas contas. Ora, se é assim, não se percebe então a razão pela qual a Federação Portuguesa de Futebol ainda não transferiu os cerca de 400 mil euros que deve ao Clube pela presença na Final da Taça de Portugal. “Como em tudo, o problema aqui é meramente burocrático e a situação vai ser resolvida. Para além de dar para resolver estes impedimentos, o dinheiro que temos a receber vai resolver outros processos que temos pendentes e que também herdámos”, explicou o dirigente. As dívidas a que Mário Carneiro se referia dizem respeito a Arrieta, 19 mil euros, e a Marinesco, 17 mil, por incumprimento dos planos de pagamento de dívidas. “Quanto aos restantes processos, como a dívida de 52 mil euros à Segurança Social e a de 17 mil euros às Finanças, já celebrámos acordo com um e liquidámos a outra”, concluiu.
“Entreguem as Chaves”
Confrontado com as acusações de incumprimento, o presidente da Câmara, João Batista, foi peremptório: “Não estejam à espera que seja a Câmara a resolver os problemas que outros provocaram”.
O autarca, para além de garantir que as acusações são “completamente falsas”, faz mesmo questão de esclarecer que “o município de Chaves tem apoiado sempre o Desportivo e tem cumprido com as suas obrigações”. “O que acontece é que as exigências das obrigações para com o Desportivo também têm vindo a crescer, e bem, atendendo à necessidade do gasto dos dinheiros públicos”. Segundo João Batista, o protocolo assinado este ano com o Desportivo de Chaves, à semelhança dos anteriores, é cumprido desde que por parte do clube haja a justificação das despesas. “Todas as justificações apresentadas já foram pagas. O que acontece, e isso é público, é que o Sr. Presidente do D. Chaves apresentou a demissão e depois voltou a haver outra assembleia-geral que determinou a sua continuidade. Nós necessitamos aqui de uma acta dessa assembleia, que legitime os órgãos directivos do clube. No município, até quarta-feira, não deu entrada qualquer acta e, como tal, estamos impedidos de disponibilizar qualquer verba”, salientou João Batista, que fez também questão de esclarecer que, para além das verbas estipuladas, o município, “e desse dinheiro ninguém falou”, também já proporcionou ao clube outros apoios monetários através da empresa Empreendimentos Hidroeléctricos do Alto Tâmega e Barroso (EHATB). “Para além do apoio normal, como foi a final da Taça, a EHATB deu um apoio extra que perfaz um total de 85 mil euros”, revelou Batista.
“É bom que os associados do Chaves saibam como é que as coisas funcionam. Os protocolos e os dinheiros da Câmara destinam-se e devem ser encaminhados para o que a legislação prevê ou seja só para a formação. Nesse campo temos cumprido e até foi notícia que é nos escalões de formação que os colaboradores têm os seus pré-mios de colaboração em atraso”, acrescentou.
O autarca foi mesmo mais longe e lançou o desafio a quem toma conta do clube, dizendo-se farto de ameaças: “não tenham problemas e concretizem as ameaças de entregar as chaves do clube na Câmara. Eu cá estarei para as receber e estejam tranquilos que o clube não acaba. As obrigações da autarquia são para com a formação”, concluiu João Batista.
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