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Edição de 13-05-2011

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SECÇÃO: Montalegre

Zona envolvente ao Castelo entupiu
Bruxas levaram milhares à vila Barrosã

fotoPara noite de sexta-feira treze não é que possa ser considerado grande azar, mas, mesmo assim, era escusado. Em vez dos ténis que lhe enchem a medida dos pés, para aquela que iria ser a sua primeira “Noite das Bruxas”, Jéssica André, de 16 anos, optou por uns mais novos, mas mais largos. Azar. Andou para ficar sem eles. “As pes-soas empurravam tanto, pisavam tanto que pensei que chegava a casa sem as sapatilhas”. Nem bruxas, nem demónios, nem queimada, o que surpreendeu mesmo na última Noite das Bruxas, em Montalegre, foi a quantidade de gente que apareceu nesta iniciativa da Câmara Municipal. Nem a organização esperava. Para facilitar o fluxo das pessoas à zona envolvente ao Castelo, a organização optou por fazer o cortejo pela “rua da farmácia”, mais ampla que a rua Direita, por onde passa normalmente. Mas a alteração de pouco ou nada valeu. “Às 22h30, já tínhamos a relva envolvente ao Castelo toda cheia. E, algum tempo depois, já não se cabia em lado nenhum”, lembra David Teixeira, da organização. Muitos dos que “invadiram” a vila eram emigrantes que só conheciam a “Noite das Bruxas” pelas reportagens da televisão. É o caso de Vitorino Monteiro. Emigrante em França, Vitorino é dos que “nem quer crer que existam bruxas, nem diabos” e, por isso, na hora de dizer o que é que achou invoca antes forças divinas. “Foi bonito, foi bonito! Eu nunca vi tanta gente na minha vida! Ai Jesus!!!”.
Delmar Varela, de Vila Real, depois de várias tentativas falhadas, aproveitou o facto de estar a acampar com o marido num parque de campismo do concelho para participar. Em tudo. No restaurante onde jantou, antes de se sentar à mesa para uma “ceia do outro mundo”, passou debaixo de uma escada, esbarrou em teias de aranha, morcegos…Pelo prato passou-lhe de tudo: olho de morcego, caganitas de bode, bosta de vampiro, mijo do diabo com ervas daninhas…E pelo meio ainda teve direito homens com cara de bruxos que dançavam capoeira e umas figuras que pareciam tiradas de um filme de terror.
Mas o jantar endiabrado é só o começo da “Noite das Bruxas”, uma iniciativa da Câmara para “caçar” turistas e promover a economia local. A seguir, há cortejo de bruxas, demónios e feiticeiras até ao Castelo, onde se concentram todas as forças do mal. Anteontem, eram mais de 300.
À custa de encontrão para aqui, encontrão para acolá, de mão dada com o marido, Delmar conseguiu ver o que muita gente já não viu: a descida à terra do bruxo-mor. O bruxo-mor é o mediático padre Fontes, pai da iniciativa e figura central do evento. Anteontem, fez uma aparição triunfal, voando sobre a multidão, numa grua de precisão com 36 metros de comprimento. “Viva Barroso, Viva Montalegre, Viva as pessoas que cá estão”, gritou Fontes, de capa preta e chapéu à bruxo. Estava chegado o momento alto: A “bênção” da “poção mágica”, um licor feito à base de aguardente que, depois da ladainha que Fontes grita e o público repete, ganha poderes esconjurativos. Das forças do mal, claro! Anteontem, a poção foi pouca para tanta gente. Azar. Para o ano há mais. É a 13 de Maio, dia com especial significado para os católicos. Sorte ou azar? Polémico, de certeza. “Já estamos a contar que vamos ser criticados por fazer a festa, mas a nossa resposta vai ser esta: quem quer ir a Fátima vai a Fátima, que quiser vir às bruxas vem para aqui”, conclui David Teixeira.





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