|
SECÇÃO: Desporto
Por causa da difícil situação económica que o clube atravessa
Flavienses querem final da Taça no Norte
Para reduzir despesas e poder levar mais público ao jogo, o Desportivo de Chaves quer que a final da Taça de Portugal se realize no Norte e não no Estádio Nacional, em Lisboa. No entanto, o que está a causar indignação junto dos flavienses é a obrigatoriedade de comprar um “kit” do Desportivo de Chaves, no valor de 20 euros, para se poder aceder ao bilhete. A direcção alega que todos os clubes têm este tipo de iniciativas e que é a forma de “suportar” as despesas.
A Federação Portuguesa de Futebol ainda não emitiu os bilhetes para a final da Taça de Portugal que, no próximo dia 16 de Maio, irá opor o Desportivo de Chaves e o Futebol Clube do Porto. E, por isso, ainda não se sabe qual será, ao certo, o valor das entradas. No entanto, a direcção do Grupo Desportivo de Chaves já tomou uma decisão. Quem comprar o bilhete terá também de comprar um “kit” do Desportivo, no valor de 20 euros, e que inclui uma camisola, um caschecol e um boné do clube. No entanto, a ideia está a gerar revolta junto de muitos flavienses. Dizem que é caro e questionam a legalidade da imposição.
Para o presidente do Chaves Mário Carneiro, o kit foi a única forma que o clube encontrou para suportar as despesas. “Como é sabido, o clube, devido à penhora de um antigo presidente, tem todas as suas receitas penhoradas, inclusive as da Taça, e atravessa graves problemas financeiros. Todos os clubes têm este tipo de iniciativas”, justificou Mário Carneiro, garantido que esta “é a única forma de suportar as despesas”. “Caso contrário, não temos dinheiro para concluir a época e levar a equipa à final da Taça”, alegou ainda o presidente do Desportivo de Chaves, acrescentando que o kit “é uma recordação de um momento histórico, que todos vão poder guardar”.
De resto, também é alegando motivos económicos que a direcção do Chaves vai desenvolver esforços para que a final da Taça seja deslocalizada para um estádio do Norte, a título de excepção, como, aliás, já aconteceu noutras ocasiões. Por isso, Mário Carneiro pretende propor ao Futebol Clube do Porto e à Federação Portuguesa de Futebol que a final seja deslocalizada para Braga ou para Guimarães. “Somos de uma região algo desfavorecida e jogar em Lisboa, a um domingo e, ao fim da tarde, apesar de toda a boa vontade que os transmontanos têm, vai afastar gente”, garante o dirigente, acrescentando que “a deslocação fica muito dispendiosa”. “Não podemos esquecer que atravessamos um período de crise”, frisou, considerando que, como este ano a final se realiza entre dois clubes do Norte do país, faria sentido, se o Porto também assim o entender, que ela se pudesse jogar em Braga ou em Guimarães.
Em declarações à Rádio Renascença, o vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Amândio Carvalho, alertou, no entanto, que o regulamento da competição estipula que a realização da final seja no Estádio Na-cional e que só poderá mudar “por motivo de força maior”. Mário Carneiro entende que é o caso, uma vez que o clube tem as receitas penhoradas e não tem dinheiro para suportar a despesa com a deslocação.
O presidente da Câmara de Chaves, João Batista, também vê a deslocalização com bons olhos. “Ninguém nada em dinheiro e se o jogo for realizado num estádio relativamente perto, o Chaves levaria certamente muita mais gente para o apoiar”, defende Batista.
Autarquia garante apoio para a viagem
A Câmara Municipal de Chaves está disposta a disponibilizar transporte para o jogo da final da Taça de Portugal a preços reduzidos, para diminuir um pouco o custo que a ida ao jogo poderá ter para as famílias flavienses. “A autarquia propôs a todas as juntas de freguesia, que, a partir de segunda-feira, aceitem uma pré-inscrição. Quem estiver interessado em ir ver a final da Taça só tem de confirmar a sua intenção na Junta de Freguesia da sua área e pagar cinco euros”, garantiu, ao Semanário TRANSMONTANO, o presidente da Câmara, João Batista. Feitas as pré-isncrições, a autarquia contratará o número de autocarros necessários, “para que todos possam ir apoiar o Chaves, seja a Norte ou no Jamor”.
Apesar de ainda não estar completamente definido pela Federação, o preço dos bilhetes deverá situar-se entre os 15 e os 30 euros. Além disso, se a ideia da direcção do Clube for avante, e quem comprar bilhete for obrigado a comprar o “kit do Desportivo” (ver texto em cima), terá de pagar mais vinte euros.
|