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SECÇÃO: Desporto
Desportivo de Chaves
Assembleia Geral esteve envolta em polémica
Um grupo de associados exigiu que uma carta fosse lida antes da ordem do dia da Assembleia Geral Extraordinária do Grupo Desportivo de Chaves, que teve lugar na passada segunda-feira. No documento, questionavam a legalidade e legitimidade da actual direcção, que está a funcionar sem Conselho Fiscal desde Novembro.
Luís Mário Carneiro, que encabeçou a única lista à direcção do Grupo Desportivo de Chaves, foi eleito para o biénio 2009/2011. No entanto, o seu regresso à presidência do clube não tem sido pacífico, e as contestações e problemas com o seu mandato cedo começaram a ganhar forma.
Desde logo com várias demissões. Em Novembro de 2009, para além do presidente do Conselho Fiscal, Rui Martins, também pediram a demissão dos seus cargos vários vice-presidentes: Gilberto, do Departamento de Futebol Juvenil, Francisco Carvalho, do de Markting, Tozé Durão, do de Futebol Profissional, bem como Paulo Mesquita.
A direcção ficou fragilizada e aguardava-se, tal como consta nos estatutos do clube, uma reunião magna a qualquer momento, mas a direcção só agora, no final do primeiro trimestre de 2010, a decidiu realizar. A Assembleia Geral (AG) teve lugar na passada segunda-feira e teve os seguintes pontos na ordem de trabalhos: eleição do presidente do Conselho Fiscal; Autorização para contracção de empréstimo de curto prazo no montante de 50 mil euros, visando suprir dificuldades de tesouraria; Deliberar sobre oneração de bens imóveis e das necessárias garantias a prestar pelo clube.
Por ser extraordinária e, segundo os estatutos, a AG deveria cingir-se apenas à discussão dos assuntos da ordem de trabalhos. No entanto, um grupo de associados dirigiu uma carta à mesa da AG, pedindo que esta fosse lida antes de se iniciar a reunião. No documento, os associados contestavam a legalidade do funcionamento do clube pois, de acordo com os estatutos, não podia ter funcionado sem Conselho Fiscal. Isto porque, argumentou o grupo, todos os actos financeiros do clube carecem de parecer do presidente do Conselho Fiscal. Segundo os associados, a Assembleia Geral Extraordinária deveria ter-se realizado 15 dias após a demissão do presidente do Conselho Fiscal. Apesar de poder escusar-se a esclarecimentos, pois tratava-se de uma assembleia extraordinária, Mário Carneiro disse estar na legalidade e garantiu, apesar dos estatutos nada mencionarem a esse respeito, que a legalidade das contas eram certificadas perante a Liga de Clubes, por um Revisor Oficial de Contas (ROC).
Depois dos devidos esclarecimentos, a AG prosseguiu e a direcção, para além da aprovação para contraírem o empréstimo e para a oneração do património, conseguiu eleger Manuel Lopes, como presidente do Conselho Fiscal. Voltou a polémica, pois Manuel Lopes fez questão que ficasse em livro de acta que só se responsabilizava pelas contas do clube a partir de 8 de Março de 2010. Desta feita, muitos quiseram saber quem seria o responsável pelo período desde a tomada de posse da direcção até à data da AG.
Perante a Liga de Clubes, a versão de Mário Carneiro tem fundamento e as contas têm, realmente que ter o parecer do ROC. No entanto, a verdade é que, mesmo assim, segundo os estatutos que regem o Desportivo de Chaves, as contas carecem da assinatura do presidente do Conselho Fiscal.
Mário Carneiro já prometeu para “o final do mês de Março ou princípio de Abril”, uma AG ordinária, para que todos os assuntos sejam discutidos, mas as coisas prometem aquecer e se a ilegalidade for mesmo provada, os actos desta AG podem mesmo ser considerados nulos.
A par destas questões, os problemas financeiros do clube têm--se igualmente revelado heranças pesadas para Luís Mário Carneiro, que, apesar do campeonato estar na sua recta final, tem ainda a grande maioria das cotas dos seus associados em atraso. A juntar a tudo isto, o dirigente viu o clube ser condenado pelo Supremo Tribunal a uma pensão vitalícia ao seu antigo atleta Sérgio Jorge, no valor de 483 mil euros.
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