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SECÇÃO: Vila Real
Conselho de presbíteros da Diocese de Vila Real contra actuação da GNR
Arresto do padre de Covas foi “acto montado para causar impacto social”
O conselho de presbíteros da Diocese de Vila Real saiu em defesa do padre de Covas, detido por posse ilegal de armas. Em comunicado, emitido terça-feira, o orgão consultivo do bispo disse que o arresto do pároco foi “acto previamente montado para causar impacto social”.
O órgão consultivo da Diocese de Vila Real, presidido pelo bispo D. Joaquim Gonçalves, lançou, terça-feira, em comunicado, um duro ataque à actuação das autoridades no âmbito da detenção do padre Fernando Guerra, no mês passado. O pároco foi detido na sacristia da igreja de Covas do Barroso, na sequência de uma investigação da GNR de Chaves ligada a posse de armas ilegais. Na sequência da busca à residência do pároco, foram-lhe apreendidas 6 armas, três caçadeiras e três pistolas, centenas de munições, pólvora e ainda uma soqueira. Fernando Guerra, defendeu-se, em declarações à comunicação social, que as armas estavam em processo de legalização e justificou a quantidade de armas, com o facto de ser caçador e com a necessidade de se defender dos ladrões. No entanto, a investigação em curso da GNR já apurou que as armas estão mesmo ilegais e que o pároco nem sequer tem licença de caça.
No entanto, no documento, o conselho de presbíteros não faz qualquer referência ao alegado crime, alegando que deixa para as “autoridades respectivas o processo jurídico”, mas critica, desde logo, a oportunidade da detenção. “O Conselho lamenta que o arresto se tenha feito na manhã do domingo, com grande alarido e impedindo a celebração das três Missas”, lê-se no comunicado. Além disso, o órgão consultivo do bispo de Vila Real lamenta que, apesar de, na sequência da operação, terem sido constituídos quatro arguidos, “somente se referisse o nome do Padre”. Os sacerdotes também não percebem porque razão a operação foi levada a cabo por 30 agentes policiais e que alguns desses agentes se apresentassem encapuzados “a lembrar actos de terrorismo”, “sabendo que se tratava de um homem com 74 anos de idade”. O conselho critica ainda o facto de a totalidade das armas apreendidas aos quatro homens fossem “sistematicamente” apresentadas como se pertencessem apenas ao pároco. Por fim, estranha a presença da comunicação social no local e conclui que, “perante tais circunstância não se pode impedir de pensar que se tratou de um acto previamente montado para causar impacto social”. Ao que foi possível apurar, a decisão foi “unânime” entre os membros do órgão, cerca de 20. Terão faltado quatro, “por questões de doença”. “Nós não dizemos que tem culpa ou é inocente, não estamos a par de tudo, e é o tribunal que vai decidir, mas achamos que o caso foi instrumentalizado pela autoridades e pelos jornalistas”, disse um padre com assento no órgão.
A GNR recusou prestar declarações sobre as críticas, alegando que o caso está em segredo de justiça.
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