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SECÇÃO: Mondim de Basto
Homicídio em Ermelo no dia das eleições
Candidato do PS matou marido da adversária e está em prisão preventiva
As eleições na freguesia de Ermelo, em Mondim de Basto, só se vão realizar este domingo. Dia 11, antes mesmo de uma das mesas de voto da freguesia abrir, o candidato do PS matou a tiro o marido da candidata pelo PSD. Esteve a monte até terça-feira passada, dia em que se entregou. Vai aguardar julgamento em prisão preventiva.
As eleições autárquicas do passado domingo ficaram marcadas por um homicídio. Em Fervença, freguesia de Ermelo, em Mondim de Bastos, o candidato do PS, António Cunha, matou a tiro o marido da presidente de Junta e candidata pelo PSD, Glória Nunes. Seriam 07h10. António Cunha, de 57 anos, segundo relataram algumas testemunhas, terá entrado na escola onde iria decorrer o acto eleitoral e, sem dizer uma palavra, disparou, com uma caçadeira, contra Maximino Clemente, membro da comissão política do PSD de Mondim de Basto e marido de Glória Nunes, a sua rival na corrida para a presidência da junta de freguesia. Terá disparado um único tiro, que terá atingido Maximino, de 57 anos, na cabeça. “Ele trazia a arma encostada à perna, não disse uma palavra, alvejou o marido da presidente da junta e pôs-se em fuga”, contou, a vários órgãos de comunicação social, Manuel António, membro da mesa de voto de Fervença. Ao final da manhã do próprio dia, o carro de António Cunha foi encontrado próximo do mercado do Peso da Régua, a 50 quilómetros da aldeia. No interior da viatura foi encontrada uma caçadeira, que a GNR suspeita ser a arma do crime.
Prisão preventiva
Ao que tudo indica, as querelas entre os dois homens seriam antigas e teriam a ver com a gestão de terrenos baldios, nomeadamente desde a altura em que António Cunha tinha sido presidente da Junta pelo CDS. Cunha era também acusado de ter comprado um terreno com dinheiro da Junta e de o ter registado em seu nome. Os casos terão chegado, inclusivamente, ao tribunal. A campanha eleitoral terá sido uma espécie de gota de água num relacionamento já muito crispado entre as duas famílias. Aliás, as desavenças eram de tal modo evidentes que muitas pessoas na aldeia não terão estranhado o que sucedeu. Na passada terça-feira de manhã, acompanhado pelo seu advogado, o presumível autor do crime entregou-se nas instalações do Departamento de Investigação Criminal de Braga da Polícia Judiciária. Foi presente ao Tribunal de Mondim quarta-feira de manhã, indiciado por homicídio qualificado. Após ter sido ouvido durante cerca de 4 horas, foi-lhe aplicada a prisão preventiva. António Cunha abandonou as instalações do Tribunal já passava das 13h00 e debaixo de um coro de protestos de familiares da vítima e de centenas de populares que se concentraram no local. Entretanto, o PS já tinha anun-ciado que desistia da candidatura. A candidata pelo PSD e mulher da vítima mantém a recandidatura.
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