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Edição de 13-05-2011

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Arquivo: Edição de 04-09-2009

SECÇÃO: Vila Pouca de Aguiar

No âmbito de um projecto financiado com fundos comunitários
Associação vai apostar na produção de cogumelos em troncos de madeira

fotoA associação Aguiarfloresta, de Vila Pouca de Aguiar, vai produzir cogumelos em toros de madeira, uma técnica que confere mais qualidade à produção. E vai apostar em cogumelos chitac, uma espécie muito apreciada no Japão, mas que também já tem consumidores no mercado nacional, onde a associação quer vendê-los. A iniciativa faz parte de um projecto que também envolve a Câmara Municipal e que prevê a criação de um Parque Micológico nos antigos viveiros de Tinhela.
A Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar e a Aguiarfloresta vão investir 360 mil euros num Parque Micológico, um espaço que promete dar um impulso ao sector da produção de cogumelos no concelho de Vila Pouca.
O projecto, que irá ser financia-do no âmbito de um programa comunitário, o Provere, vai ser implementado nos antigos viveiros de Tinhela, a cerca de 5 quilómetros de Vila Pouca. E tem várias vertentes: produção, sensibilização ambiental e aproveitamento turístico.
Antiga casa da floresta que existe no local, por exemplo, será requalificada e transformada na “Casa dos Cogumelos”. Será um espaço onde irá funcionar um Centro de Educação Ambiental, onde locais e turistas serão sensibilizados para a importância desta cultura em termos ambientais e, além disso, o espaço servirá também para desenvolver a própria actividade de venda de cogumelos. Previsto está igualmente um espaço onde as pessoas possam aprender a cultivar cogumelos e a distinguir as várias espécies. Em termos turísticos, além de um “Jardim Micológico”, o projecto prevê a criação de circuitos micológicos.
Por sua vez, os terrenos que circundam a casa serão aproveitados para a produção de cogumelos, nomeadamente em troncos de madeira, uma técnica que dá mais qualidade ao produto. Uma das espécies a produzir serão os cogumelos “chitac”, muito apreciados no Japão e no Oriente, mas que também já têm mercado em Portugal, o que interessa à Aguiarfloresta. Além disso, do projecto faz também parte a plantação de árvores micorrizadas, espécies que, através das suas raízes, estabelecem uma relação com determinados fungos (que dão origem aos cogumelos) existentes no solo e, por isso, favorecem o seu aparecimento na área onde estão plantadas.
Duarte Marques acredita que este projecto vai contribuir para fazer perceber à população local que este tipo de produção pode ser rentável. “Há locais onde o cultivo de cogumelos já é a primeira utilização que é dada à floresta. Cá, está pouco explorada, embora já existam alguns projectos interessantes”, conclui Duarte Marques.

Madeira de castanheiro ou de carvalho é a mais apropriada
A produção de cogumelos em troncos de madeira é uma técnica ainda pouco utilizada, mas relativamente fácil de executar. Duarte Marques, da Aguiarfloresta, dá as dicas. Por uma questão de facilidade de manusea-mento, os troncos, por exemplo, não devem ter mais de um metro ou 1,2 metros de comprimento e cerca de 6,5 centímetros de diâmetro. O ideal, revela o dirigente, é usar “madeiras duras”, como o carvalho ou o castanheiro. Por outro lado, é importante que estejam cortados de fresco, para terem mais humidade e, desta forma, serem mais ricos do ponto de vista nutritivo. O passo seguinte, é a introdução do fungo no interior da madeira, uma espécie de sementeira. Para o efeito, com a ajuda de uma broca, são feitos furos no toro com cerca de 20 cm. Nessas perfurações serão colocadas taxas em madeira onde previamente foi já inserido o fungo (espécie de semente). Para evitar a entrada de outras matérias orgânicas que possam vir a contaminar o fungo, é obrigatório usar uma pasta que funciona como vedante. Depois, há que esperar que o fungo contamine todo o tronco. A operação demora cerca de seis meses. “Normalmente quando isso acontece o tronco começa a aparecer com umas manchas”, explica Duarte Marques. A seguir, o toro é mergulhado em água durante 24 horas. “É como se estivéssemos a dar um sinal ao fungo de que as condições climatéricas se alteraram radicalmente e, assim, obrigá-lo a dar a resposta natural, que é frutificar”. Posto isto, os troncos são retirados da água e colocados ao alto para que os cogumelos possam rebentar a casca e sair com mais facilidade. Serão colhidos quando tiverem um tamanho considerável. De acordo com Duarte Marques, este tipo de produção tanto pode ser feita no exterior como no interior, embora o controlo da humidade e da temperatura seja mais fácil de fazer em interiores. “No exterior, é uma questão de colocar plásticos na altura das geadas ou de ter cuidado de regar, em tempo de calor”, lembra o dirigente da Aguiarfloresta, revelado que o preço do quilo desta espécie no mercado varia entre os 9 e os 13 euros.





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