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SECÇÃO: Desporto
Chaves, 1 – Santa Clara, 0
Carlos Pinto marcou único golo do encontro: “Furacão transmontano” dos Açores foi demolidor para os insulares
O Desportivo de Chaves bateu o candidato à subida, o Santa Clara, no jogo da primeira mão, da primeira eliminatória da Carlsberg Cup, e deixou boas indicações aos sócios, que aplaudiram a equipa no final.
O conjunto flaviense, regressado às competições profissionais, bateu em casa o Santa Clara por 1-0, na primeira mão da primeira fase da Taça da Liga (Carlsberg Cup) em futebol, mostrando que pode fazer um campeonato tranquilo.
Perante o seu público, que assistiu ao primeiro jogo oficial da época 2009/2010, no Estádio Municipal de Chaves, o conjunto local, proveniente da II divisão, agora orientado por Ricardo Formosinho, venceu o terceiro classificado da anterior edição da Liga Vitalis e dominou grande parte do encontro.
Entrou melhor a equipa transmontana e, logo aos dois minutos, criou a sua primeira oportunidade, desperdiçada por Clemente, que, dando seguimento a um livre marcado por Danilo, rematou de cabeça para defesa apertada dos insulares. A partir dos 15 minutos, a equipa açoriana equilibrou o jogo, mantendo-se este repartido, ainda que as melhores oportunidades continuassem a pertencer aos locais, que tinham no açoriano Clemente um “quebra-cabeças” para o sector defensivo dos forasteiros.
Aos 41 e 44 minutos, Nuno Santos teve, finalmente, duas oportunidades, mas desperdiçou-as. A primeira com um remate defeituoso e a segunda esbarrou numa boa defesa do guarda-redes Rui Rego, que provou uma vez mais estar em excelente momento de forma.
Na segunda parte, logo aos 55 minutos, uma vez mais Clemente, incansável açoriano que joga no ataque transmontano, após tirar dois adversários do caminho, rematou forte e colocado, mas Ney responde com a defesa da tarde.
Com as substituições efectuadas, apesar dos esquemas tácticos terem sofrido grandes alterações, o jogo manteve-se sempre em toa-da viva, até que, aos 71 minutos, Clemente, mais uma vez ele, foi agarrado na grande área, e o árbitro, bem colocado e sem hesitações, assinalou a grande penalidade, que Carlos Ponto converteu no primeiro e único golo deste desafio. Nos últimos 10 minutos, o Desportivo de Chaves limitou- -se a defender a escassa vantagem, pois, entretanto, viram-se reduzidos a 10 elementos, por expulsão de Capuco.
Cosme Machado em mau plano
A pior equipa em campo foi claramente a de arbitragem. O juiz de Braga mostrou que não fez uma boa “pré-epoca” e, para além de não ter acompanhado os lances convenientemente, Cosme Machado mostrou uma dualidade de critérios gritante, que prejudicou a formação transmontana. Na primeira parte, Tó Miguel, logo aos 25 minutos, viu um amarelo, mas, aos 35, repetiu uma entrada violenta, e o Juiz ficou com o segundo amarelo e o respectivo vermelho no bolso.
No entanto, na segunda parte, quando iam decorridos 83 minutos, numa entrada em que o jogador nem teve de ser assistido, não foi perdulário e deu ordem de expulsão a Capuco.
Cotação
Rego – 3
Em grande forma. Não teve uma tarde de muito trabalho, mas quando foi posto à prova respondeu com classe.
Danilo – 3
Igual a si próprio. A defender foi exímio e, sempre que integrou o ataque, com subidas rápidas pelo seu flanco, levou perigo.
Vítor – 3
Também a sua tarefa não foi fácil. Nunca deu espaços aos atacantes do S. Clara e mostrou ter maturidade suficiente para ocupar o lugar.
Ricardo Rocha – 3
Foi o patrão da defesa. A sua tarefa não era fácil, mas Rincon e Tatu encontraram nele uma autêntica parede.
Heslley – 3
No jogo aéreo é rei e entendeu-se na perfeição com os seus companheiros da defesa. Deixou boas indicações.
Eduardo – 3
Foi uma agradável surpresa. Não arriscou muito nas subidas pelo seu flanco.
Bamba – 3
Ainda não está ao ritmo desejado. Começou no meio campo e terminou na defesa, mas nunca comprometeu.
Bruno Magalhães – 4
Continua a ser a “formiguinha” do meio campo. Foi “pau para toda a colher” e rubricou uma excelente exibição.
Castanheira – 3
Tem excelente leitura de jogo e é uma mais-valia do meio campo. Chegou mais tarde e 90 minutos ainda é pedir muito.
Capuco – 2
Uma falta escusada, depois de já ter visto um amarelo e a respectiva expulsão, condicionou a equipa para os últimos 10 minutos.
Carlos Pinto – 4
O experiente capitão saltou do banco e no momento decisivo não “tremeu” e marcou de forma irrepreensível a grande penalidade
Leandro – 2
Pareceu estar perdido em campo. Demasiado lento e muito nervoso foi a imagem que deixou.
Flávio Igor – 1
Entrou numa fase complicada e um erro seu acabou por ditar a expulsão de Capuco.
Ricardo Formosinho +
Inicialmente, ao apresentar-se com três centrais, pareceu estar a montar uma estratégia demasiado defensiva, mas, com o passar do tempo, provou ter a equipa a um nível físico muito bom e possuir argumentos para discutir o jogo. A vitória do seu conjunto é merecida, e arrancar com uma vitória é sempre um bom começo.
Clemente – 4
O açoriano ao serviço do Desportivo de Chaves não foi benevolente com os seus conterrâneos e exibiu-se em grande nível. Os melhores lances de perigo do encontro tiveram a sua assinatura e foi claramente o melhor em campo. Não foi ele que fez o golo, mas a falta da grande penalidade foi cometida sobre ele.
Edgar Pedreiro
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