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SECÇÃO: Chaves
Versão final do contrato de concessão ainda não foi rectificada
Central termoeléctrica prevista para Vidago emperrada
A construção da central termoeléctrica a partir material lenhoso prevista para o concelho de Chaves já não vai arrancar este ano, como se previa inicialmente. A versão final do contrato de concessão entre o consórcio que ganhou a concessão e a Direcção Geral de Energia e Geologia ainda não foi assinado. A localização da central, entre Vidago e Loivos, inicialmente prevista, também está a ser reavalidada.
A produção de energia a partir biomassa florestal (matos, aparas de árvores...) no concelho de Chaves continua em fase de banho-maria. Inicialmente, previa-se que a construção da central acontecesse já este ano. No entanto, neste momento, o contrato final de concessão do equipamento continua por rectificar por parte da Direcção Geral de Energia e Geologia. O contrato inicial foi alvo de algumas “afinações” por parte do consórcio vencedor, a Probiomassa, onde lidera uma participada da Eurico Ferreira, sedeada na Trofa, e onde tem também participação (15 por cento) a empresa dos seis municípios do Alto Tâmega, a EHATB. No entanto, o documento ainda não foi rectificado pela Direcção Geral de Energia e Geologia. “Acreditamos que a Direcção Geral de Energia e Geologia tem todos os elementos e condições para o fazer”, adiantou, ao Semanário TRANSMONTANO, Francisco Gouveia, da Probiomassa, admitindo que o contrato possa ser assinado “no final do ano”.
Em análise está também a localização da central. O local inicialmente previsto situava-se entre Vidago e Loivos. No entanto, estará a ser equacionada uma nova localização dentro do próprio concelho, como determina o contrato de concessão. “Essa questão está a ser discutida, mas não existe ainda nada de definitivo”, referiu apenas Francisco Gouveia, acrescentando que a acontecer a deslocalização “será sempre por razões de ordem económica”.
De acordo com os números já tornados públicos do investimento, a central termoeléctrica de bio-massa florestal em Chaves custará 27 milhões de euros e criará 18 postos de trabalho directos e 300 indirectos. De resto, o fornecimento da matéria-prima poderá ser a grande mais valia do investimento para a população do concelho e do todo o Alto Tâmega, que, desta forma, poderá rentabilizar as propriedades agora abandonadas. Além disso, a central poderá também trazer efeitos positivos no que diz respeito à limpeza das florestas, uma vez que a carga combustível que poderá vir a ser vendida para produzir energia está, muitas vezes, na origem da propagação de incêndios.
Ao que tudo indica, a Central absorverá uma média de 100 mil toneladas por ano de biomassa florestal, sendo a produção média estimada de cerca de 82 gigawatts (GW) de energia por hora.
Associação Florestal e Ambiental do Concelho de Chaves
“É muito difícil convencer proprietários a investir na floresta”
Quando estiver em funcionamento, a central de biomassa pode ser uma forma de ajudar a rentabilizar a floresta do concelho e de promover o reinvestimento no sector. Mas, para já, são ainda muito poucos os que olham para a floresta como uma fonte de rendimento e que investem nela. É de resto o que conclui a Associação Florestal e Ambiental do Concelho de Chaves (AFACC), depois de quase uma década de trabalho no sector. “Eu costumo dizer que Chaves só tem proprietários florestais, que não há produtores florestais”, frisa José Barros, da AFACC. Na opinião do técnico, para esta situação contribui decididamente o facto de o retorno do investimento na floresta ser a muito longo prazo. José Barros exemplifica com a plantação de carvalho americano e de chamaccyparis feita na área baldia da freguesia de Calvão, no âmbito de um projecto comparticipado por fundos comunitários, e que só dentro de algumas décadas produzirá riqueza para a localidade. “Dentro de quarenta anos, teremos aqui um património muito importante para a freguesia”, assegura o técnico da AFACC, defendendo que estes investimentos têm que ser feitos “a pensar nas gerações futuras”. “Se nos deixaram a nós o que agora temos, nós também temos que deixar para outros”, realça.
Por outro lado, José Barros recorda que o abandono florestal está também ligado ao êxodo e envelhecimento da população.
A AFACC presta serviço privado e público, este no âmbito da equipa de sapadores florestais que tem no terreno. Durante seis meses, os elementos da equipa, co-financiada com fundos públicos, é obrigada a prestar serviço para o Estado, na área da prevenção de fogos florestais. Ao todo, a equipa já roçou mais de 90 hectares de matos, limpou mais de 198 hectares de povoamentos, fez fogo controlado em 33 hectares, realizou 36 acções de sensibilização e fez 18 operações de rescaldo. Neste momento, a Associação já tem aprovada a constituição de uma nova equipa, cujos elementos já se encontram em formação. A decorrer, a AFACC tem igualmente dois cursos de operadores florestais, no âmbito dos cursos de Formação de Adultos. Além disso, a Associa-ção está também a trabalhar para a constituição da primeira Zona de Intervenção Florestal de Chaves, que prevê a gestão conjunta das zonas florestais, no sentido de, deste modo, promover a sua rentabilidade. Nestes quase dez anos de existência, a AFACC esteve igualmente envolvida numa série de projectos de arborização, beneficiação e rearborização de ardidos.
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