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SECÇÃO: Opinião dos Leitores
O mimetismo da “Rosa”
Não há dúvida que a “rosa do ps” está cada vez mais viçosa, a avaliar por algumas palavras de José Sócrates, o Secretário-geral do “ps”, que, do alto da sua sapiência e autoridade sobre os seus condiscípulos, afirma, pasme-se, que “o exercício da democracia não significa obedecer”. Estas palavras também quiseram fazer eco em todo o Portugal para justificar as divergências de opinião entre o Primeiro-Ministro e o seu “ps”, no contexto do Estatuto dos Açores. Está claro que, quando convém, estas palavras são como mel, regando a “rosinha inocente”, mantendo-lhe o viço e o brilho, a ponto de ela se travestir “à la carte”, tal qual o mimetismo dos camaleões.
Chamem-lhe sexto sentido, ou lá o que quer que seja, mas sinto que é mesmo verdade que o viço da “rosa do ps” está a atingir o seu auge, neste início de 2009. A “rosa” está tão ciente das suas virtudes que até nem se importa que o Sr. Presidente dissolva a nossa tão prestigiada Assembleia da República, por achar ter garantida uma nova maioria absoluta. Mas a “rosa do ps” está carregadinha de espinhos e pronta a ferrar quem se lhe oponha e até já “canta de galo”. O que querem? É assim, o mimetismo levado às últimas consequências origina estes desvarios, desafiando tudo e todos, permitindo-se distribuir, por razões duvidosas, o dinheiro que amealhou à nossa custa, fazendo subir o défice e aumentando a dívida pública que as gerações futuras terão de pagar.
“Valha-nos Deus” – como diz o povo – o que uma boa crise não faz à “mioleira de uma rosa” em pleno cio eleitoral! A azáfama das abelhas em volta do doce néctar da “rosinha” já se começa a sentir. Todo o “enxame do ps” já está a preparar os ferrões para não perder o tiro de partida. Tanto os “Jotinhas” como os veteranos. Isto, claro, competências à parte. Afinal o que interessa é um enxame acéfalo que apenas saiba carregar num botão de determinada cor em dia de votações na Assembleia da República e que afinem pelo zumbido dos Chefes.
Para terminar volto às palavras que o Sr. Primeiro-Ministro proferiu: “o exercício da democracia não significa obedecer”. Em 2008, elas foram aplicadas em relação ao diferendo dos Açores. Mas em outro contexto, podemos fazer uma leitura que nos incita a não obedecer à “sagrada Democracia”. E é isso que, em 2009, as “abelhas do ps” que cirandam em volta da “rosinha absoluta”, continuam a fazer. Um caso flagrante é o do Sr. Secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, que, tão espontâneo na sua maneira de “zumbir”, diz “que se a greve dos professores continuar marcada, benesses podem voltar atrás”. Saberá esta excelência o que são benesses?
Como se vê a democracia deste “ps”, que sempre governou nos limites das ideias lavradas na Constituição República Portuguesa, está já travestida de “qualquer coisa” que pouco tem a ver com o regime do país que idealizámos nos anos setenta do século passado. As “benesses” de que este Secretário de Estado fala estão relacionadas, nem mais nem menos, com a ausência de sensibilidade democrática deste governo que só está bem a atirar gasolina para a fogueira dos problemas. Estes governantes, dado o seu conceito de democracia, não são abelhas, são aprendizes de caudilhos que querem ver as suas populações trituradas, porque lhes não obedecem.
Depois de ter escrito esta crónica pus-me a pensar com os meus botões: não estará o viço da “rosa do ps” a ser alimentado por uma seiva incendiária que brota da Venezuela?
António Joaquim Fortuna
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