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Edição de 13-05-2011

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Arquivo: Edição de 23-01-2009

SECÇÃO: Chaves

Obra deverá ser inaugurada em 2011
Nadir quer Fundação a promover a sua teoria da arte

fotoNadir Afonso espera que a Fundação que a Câmara de Chaves vai construir em sua homenagem consiga o que ele não conseguiu “toda a vida”: impor a sua teoria da arte. “Nunca me ligaram”, disse o pintor flaviense na apresentação do projecto, da autoria do arquitecto Siza Vieira.
“Ok Álvaro [Siza Vieira]. Só falta contar a história da Fundação. Se me dão licença...”, foi assim que, sexta-feira à noite, Nadir Afonso, “cansado por não andar a dormir nada”, antecipou o seu discurso na apresentação pública do projecto de arquitectura da Fundação, que, pelas contas da autarquia, deverá ser inaugurada em 2011. Neste momento, a Câmara aguarda decisão em termos de financiamento da obra, orçada em cerca de 9 milhões de euros.
Detentor da palavra, Nadir começou a contar a sua própria história. “Dizem que já pintava aos quatro anos. Bem, mas não me posso responsabilizar por isto porque não me lembro”, disse. Foi apenas a primeira explosão de gargalhadas e de palmas da plateia. O público voltou ao rubro, quando Nadir posou para um fotógrafo, que se contorcia para obter o melhor plano. “Tenho que fazer um esforço para ser sério!”, justificava Nadir, depois de ter voltado a pôr toda a gente a rir ao explicar porque lhe custava discursar sentado: “Posso morrer e ao menos que morra de pé”.
Mas há um momento em que Nadir fala muito a sério. Quando fala sobre o que o levou “toda a vida” a descobrir: que a essência da obra de arte está na sua “dimensão matemática e geométrica”. “Há a perfeição, a originalidade..., mas há uma qualidade, a meu ver, que é contínua e que é a sua essência: a sua dimensão matemática”, explicou Nadir, lembrando, no entanto, que “é um erro pensar que a obra de arte se pode transmitir em palavras”.
O pintor espera, por isso, que a Fundação venha a ter um papel importante na divulgação da teoria que “99 por cento nunca ligou”.
Antes de Nadir, o arquitecto Siza Vieira mostrou e explicou o projecto. Considerou o espaço “interessante”, por estar à beira rio, ser numa área de jardim e ter bons acessos. “Tem todas as condições para funcionar bem!”, disse Siza. Por outro lado, o arquitecto explicou também que o edifício “pousa” em lâminas por causa do risco de cheia. Esta solução foi, aliás, o argumento que fez com que o Ministério do Ambiente tivesse autorizado a construção no local, proibida por Lei, precisamente pelo risco de inundação e que levou à deslocalização das piscinas municipais cobertas, que estiveram projectadas em área com a mesma classificação.
Quanto ao interior do espaço, o mais internacional dos arquitectos portugueses, explicou que as salas expositivas do edifício, uma delas reservadas ao espólio do pintor flaviense, serão paralelas ao rio. Além disso, a Fundação terá um pequeno auditório e uma biblioteca, uma loja e uma cafeteria. “Criamos condições para a obra de Nadir viver e se impor”, resumiria Siza Vieira, em resposta a uma questão levantada por uma jornalista sobre a relação entre o pintor e o edifício.
A encerrar, o presidente da Câmara de Chaves, João Batista, considerou que a Fundação é um “acto de justiça” para com o pintor.
A cerimónia, conduzida pelo jornalista Carlos Magno, amigo de Siza e de Nadir, contou também com a presença do ministro da Administração Interna, que marcou presença pela sua relação com a cidade, onde passou alguns anos da sua vida.





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