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SECÇÃO: Vila Real
Aviso que informava da falta de controlo da água desapareceu
População está a beber água contaminada com radão
Apesar de conter excesso de radão, um gás prejudicial à saúde, a água da fonte de São Mamede, em Vila Real, continua a ser consumida. A placa que a Câmara colocou no local a informar que a água não era controlada desapareceu.
A água da fonte de São Mamede, em plena cidade de Vila Real, contém altos níveis de radão, um gás emanado pelo granito que pode ser prejudicial para a saúde, nomeadamente provocar determinados tipos de cancro. A situação foi detectada em análises feitas pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). No entanto, a população continua a consumi-la. Aliás, acreditam que a água é mais saudável do que aquela que jorra da torneira. Maria Natália, “nascida e criada” em São Mamede, confirma que muita gente vai buscar a água e até “cozinha com ela”. A fonte existe no local “há séculos” e, para esta idosa, “água que corre não mata”. Por outro lado, garante que “nunca viu qualquer aviso” a indicar que a água não é controlada ou tem qualquer tipo de problema, mas tem a ideia que a água costuma ser “analisada”. Uma vizinha, por seu lado, garante que a “água é muito boa para consumir” e costuma utilizar a água da fonte para beber. “Se a água não estivesse boa para beber, eles avisavam”, confia.
O administrador da empresa municipal responsável pelo abastecimento de água, Miguel Esteves, assegura, no entanto, que, há cerca de dois meses, a autarquia colocou um aviso com a indicação “água não controlada”, como, de resto, foram colocados em “quase todos os fontanários do concelho”. No entanto, a verdade é que a placa desapareceu do local.
Desaparecimento à parte, o autarca aproveita para aconselhar as pessoas a “não consumir aquela água” e a optar antes pela “água da torneira”. E recorda que o município apenas tem “responsabilidade” na água da rede pública, “que é constantemente analisada e sujeita a controlos de qualidade”.
O radão é um gás nobre que emite radioactividade, equivalendo a 54 por cento das radiações a que o homem está sujeito.
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