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Edição de 13-05-2011

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SECÇÃO: Montalegre

Câmara alega que na sede do concelho há “melhores condições” de ensino
Mães de Vilar de Perdizes prometem luta para impedir fecho da escola

fotoA Câmara Municipal de Montalegre pretende encerrar já este ano lectivo a escola primária de Vilar de Perdizes, à semelhança do que aconteceu à maioria das do concelho. No entanto, as mães dos 15 alunos que frequentam o estabelecimento não se conformam com a decisão. Argumentam que a escola tem boas condições, que 15 alunos justificam o seu funcionamento e que se forem para Montalegre, as crianças quase não passam tempo nenhum com a família. O presidente da autarquia diz que é a “qualidade do ensino” que está em causa.
Em criança, Margarida Carrelo só foi um mês à escola. Abandonou para ir guardar as ovelhas que a mãe comprara. Nesse tempo, “ a escola era na parte de cima de uma casa. Na parte de baixo dormiam dois bois”. “Cheirava muito mal, mas nem assim Salazar a fechou. E hoje, com todas as condições, querem-nos a fechar!”. Inconformada, na quinta-feira da semana passada, Margarida, de 80 anos, juntou-se a mais de uma dezena de jovens mães que protestam contra o encerramento, no próximo ano lectivo, da escola do primeiro ciclo de Vilar de Perdizes, em Montalegre. “Devia estar aqui o povo em peso”, insurgia-se a octogenária, que completou a quarta classe já em adulta. O encerramento do estabelecimento foi confirmado há cerca de uma semana pelo próprio presidente da Câmara, Fernando Rodrigues, no decorrer de uma reunião com as mães.
Os 15 alunos que frequentam a escola terão que ir para Montalegre, onde, no âmbito da reorganização do primeiro ciclo se irá concentrar grande parte dos alunos do concelho. Inconformadas com a decisão, as mães prometem luta. “Estamos dispostas a tudo!”, garantiam. O autarca diz, no entanto, que é a “qualidade do ensino que está em causa”. “Em Montalegre, a escola tem boas salas, aquecimento, cantina, actividades de enriquecimento e um professor por ano, coisa que lá não acontece. O mesmo professor ensina os quatro anos”, defende Rodrigues. Os argumentos das mães são de outra ordem. “Vamos ter que os levantar às 6h30. E à noite só chegam às seis. De Inverno, a essa hora é de noite. Ou seja, chegam, comem e vão para a cama. Que tempo passam com a família?”, questionava uma mãe professora. “Eles nem em casa comem bem, com uma pessoa a insistir, quanto mais lá!”, lamentavam outras jovens mães.
Mas as “boas” condições da escola também são usadas para defender a sua manutenção. “Quando lá vou, até me apetece lá ficar. Está um mimo!”, explicava a mãe Sameiro. Além de quatro salas, aquecimento central, material informático, a escola também tem recreio coberto. “O presidente diz que lá estão melhor porque cada classe vai ter um professor. Então, se é isso, porque não contratam mais professores?”, argumentava outra mãe.

Centro escolar já foi adjudicado
A construção do centro escolar de Montalegre para concentrar os alunos do primeiro ciclo do concelho foi adjudicado na semana passada. O edifício irá ser erguido junto à actual Escola EB 2,3 Bento da Cruz.
Até à sua entrada em funcionamento, os alunos das escolas primárias que encerraram nas aldeias têm aulas na antiga escola do segundo ciclo existente junto ao Pavilhão Multiusos. Além deste centro escolar, este ano irão ainda funcionar alguns pólos: Salto, Venda Nova e ainda Ferral.





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