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SECÇÃO: Vila Real
Avaria de elevador dura há três semanas
Idosos enclausurados em prédio de oito andares
Um prédio de oito andares, situado no Pioledo, em Vila Real, está há três semanas com o elevador avariado. A situação está a transtornar a vida dos moradores, principalmente os mais idosos. É o caso de Raquel Sousa, de 75 anos, que vive no oitavo andar. A idosa está há três semanas sem sair à rua. Os problemas de saúde, especialmente na zona da coluna, aliados às escadas íngremes dos oito andares tornaram-se uma verdadeira prisão para esta senhora, que se viu obrigada a mudar por completo a sua rotina de vida.
Habituada a ir todos os dias à rua, para “tomar o café e ler o jornal”, Raquel Sousa sente-se “enclausurada” dentro da sua própria casa. Vai-se entretendo a ver televisão e a ler livros, mas é “diferente”. Amigos e alguns familiares deixaram de visitar o casal, porque “as pessoas não estão para subir oito andares”. Agora a filha e a neta são praticamente as únicas visitas lá em casa.
Para as compras do dia a dia é o marido, de 78 anos de idade, que se vê obrigado a subir e descer as escadas, “às vezes duas ou três vezes por dia”. Apesar de ser mais “ágil”, o facto é que é com “muita dificuldade” que o idoso cumpre a tarefa.
Raquel Sousa lembra que já ficou dois dias sem gás em casa, porque a empresa que habitualmente a fornece alegou que os funcionários não podiam subir os oito andares.
O casal acabou por recorrer a outra empresa, que lá entregou o gás, com o trabalhador a ter que subir os oito andares do prédio com uma botija às costas.
A falta de pagamento do condomínio de alguns moradores e alguma incúria por parte da empresa que gere o condomínio, a Shindler, poderá estar por trás do atraso na resolução da avaria do elevador. Para Raquel Sousa, a empresa estará eventualmente “interessada” em manter esta situação, para ver se os condóminos que têm as contas atrasadas as ponham em dia.
Quem conhece bem o martírio dos moradores é o dono do quiosque que existe no rés-do-chão do prédio. Muitas vezes quando precisam de algumas coisa é para Carlos Baptista que os moradores mais velhos telefonam.
Além da falta de elevador, os moradores têm ainda que conviver com o aspecto “feio e muito degradado” do prédio.
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