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SECÇÃO: Chaves
Parturientes são encaminhadas para Vila Real
Maternidade fechou ontem à meia-noite
A maternidade de Chaves encerrou ontem à meia-noite. Na sexta-feira passada, o ministro da Saúde escusou avançar o dia certo do fecho por ainda não estar “rigorosamente” definido e avançou apenas que o serviço encerraria “depois das festas”. Durante a visita a Chaves, o governante justificou a decisão com o baixo número de partos e ainda com o elevado número de nascimentos por cesariana. E garantiu que Vila Real é uma “alternativa com mais qualidade”.
Desde ontem à meia-noite que as parturientes da área de influência do Hospital de Chaves (Boticas, Valpaços e Montalegre) vão ser reencaminhadas para Vila Real. A sala de partos flaviense encerrou ontem, pelos menos esta era a data de fecho avançada pela Administração de Saúde do Norte, citada pela Lusa, na quarta-feira passada, dia de fecho desta edição.
Na sexta-feira, o ministro da Saúde, Correia de Campos, que visitou as obras de alargamento do Centro de Saúde nº1 e do serviço de hemodiálise do hospital flaviense, escusou precisar a data do encerramento. Disse que ainda não estava “rigorosamente definida”. Mais certezas mostrou em relação aos motivos do encerramento. “Não podemos mais manter esta sala de partos quando temos alternativas com melhor qualidade”, justificou o governante, avançando com um argumento que até agora ainda não tinha sido lançado: o número de partos por cesa-riana. “Chaves tem o pior índice do país em termos de cesariana: 60 por cento. E isto não é bom. A média do país é de 32 por cento e já somos os terceiros piores na OCDE”, explicou o ministro. Antes, Correia de Campos justificou ainda o fecho com a “redução visível do seu movimento e a consequente perda de qualidade”. Até agora, nasceram na maternidade flaviense 390 crianças, menos 65 que o ano passado.
Tal como se esperava, não houve qualquer manifestação de desagrado à vinda do ministro. O presidente da Câmara, o social- -democrata João Batista, apenas recusou acompanhar o governante na deslocação ao hospital. Esteve só na inauguração das obras do centro de saúde, onde disse ao ministro que “não concordava” com a decisão, por entender que “qualidade implica proximidade” e que a decisão não favorece a competitividade que a saúde pode trazer às regiões”. O ministro agradeceu a “franqueza”, mas não deixou de lembrar que a concentração de recursos no sector se iniciou num governo do PSD, quando de 200 maternidades se passou para 50. Uma decisão que considerou acertada e que, referiu, contribuiu para a redução da taxa de mortalidade neonatal. “Ninguém tem a certeza absoluta da justeza das medidas que se adoptam. Mas nós temos toda a humildade para se, por ventura, a evidência nos aconselhar a rever o processo a voltar atrás”. Correia de Campos afastou também a hipótese de virem a aumentar os partos em ambulância. Aliás, referiu que eles têm vindo a diminuir (126, em 2004, para 81 em 2006), embora, por serem mais noticiados, se tenha a percepção de que têm aumentado.
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