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Edição de 13-05-2011
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Opinião

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Contra Ventos e Marés

Leio…

Vivemos moribundos, uns contra os outros: velhos contra novos, desempregados contra empregados, pobres contra ricos”…

Leio, no PÚBLICO do passado dia 10 de Janeiro, que, segundo Sarsfield Cabral, “o modelo social europeu é inviável com o actual envelhecimento da população (…) e a esquerda não encontrou uma resposta credível para este problema” – eu pergunto-me quem vai encontrar? -; o que faz, continua Cabral, “é cortar benefícios e apoios sociais (…); nos países nórdicos a competitividade económica não é posta em causa por um alto nível de protecção social e de impostos (…); a cultura nórdica rejeita a corrupção e a evasão fiscal, evitando, assim, o desperdicío dos dinheiros públicos “. Como se sabe Portugal está muito próximo deste modelo nórdico de rejeição pois não existe corrupção (qual quê?), nem evasão fiscal (que é isso?) e muito menos desperdício dos dinheiros públicos que são criteriosa e responsavelmente aplicados… Além do mais os estrénuos e sacrificados políticos portugueses “copiam” ardentemente este “modus operandi” da cultura nórdica…

Por sua vez, leio, noutro jornal lisboeta, uma entrevista a Henrique Neto, um histórico do PS, em que o engenheiro, a dado passo e sem papas na língua, afirma que “os partidos são um polvo gigante e existe uma solidariedade com a corrupção e com os corruptos que está a destruir a democracia”… Mais leio, num semanário, que Manuela Ferreira Leite afirmou que “a classe política está completamente descredibilizada” (a senhora que na declaração de rendimentos de 2005 referiu 2417 euros… Manuel Alegre, por sua vez, desfruta uma pensão da RDP a que se junta uma subvenção vitalícia de 3219 euros que muitos políticos, doutros quadrantes partidários, também usufruem…). Percorro os olhos por um jornal diário de expansão nacional e leio, também, que “o Estado paga 20 milhões por mês em reformas milionárias e que “há pouco respeito pelo dinheiro dos contribuintes “como afirma nesse mesmo jornal o professor de Política Económica, Álvaro Santos Pereira. E para não me alongar no desfiar das magnanimidades ditas democráticas, leio que “temos 13740 organismos públicos e só 1724 apresentaram contas, sendo somente 418 fiscalizados”. Uma maravilha! E também leio que “foi nos dez anos de Cavaco como primeiro ministro que a despesa do Estado mais engordou” (paradoxal e ironicamente foi Cavaco que alertou, anos mais tarde, para a “gordura” do Estado)… Com o inefável e competentíssimo Sócrates formado pela Universidade Independente, leio que “nasceu uma fundação a cada 12 dias nos últimos três anos do seu governo”… Hoje, 11 de Janeiro, leio umas afirmações do fundador do Clube Dos Pensadores, Joaquim Jorge, que afirma que “a política em Portugal é mal frequentada, coitada da política”. Diz ainda que “a nossa democracia está em coma. Vivemos moribundos, uns contra os outros: velhos contra novos, desempregados contra empregados, pobres contra ricos”…Mas haverá alguém que não saia chamuscado neste regabofe do regime institucionalizado que já evidencia rombos clamorosos a caminho da insolvência total? Ah, como tinham razão há bastantes anos atrás, Max Nordau e Émile Faguet nas suas obras, “Mentiras Convencionais da Nossa Civilização” e “Degenerescências”(o primeiro) e “O Culto da Incompetência” (o segundo).

Desgraçadamente parece que um número considerável de políticos portugueses só lê o livro,”Os meus interesses e os interesses do meu partido”…

Por: António Cândido Gavaia


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