Arquivo: Edição de 25-02-2011
Em que estado se encontra o sistema de saúde no Hospital de Chaves… Deplorável!Sou Português, emigrante nos Estados Unidos da América, no passado mês de Janeiro vim mais uma vez passar um mês de férias à minha terra Natal. Mas qual não é a ironia do destino quando tive de ficar doente logo cá… No dia cinco de Janeiro senti-me mal, com tonturas, náuseas, suores frios, falta de equilíbrio e fadiga muscular. Assim sendo, dirigi-me às Urgências do Hospital de Chaves, onde fui atendido pelo Drº Joaquim (segundo a vinheta da receita médica), que me diagnosticou enxaquecas e me receitou Magnésio. No entanto, não melhorei e duas semanas depois, dia 27 de Janeiro sentindo-me ainda pior, voltei a dirigir-me à Urgência com os mesmos sintomas, referindo ainda que tinha antecedentes familiares com «tromboses», e que apresentavam este tipo de sintomas. Fiquei em observação na Urgência do Hospital e a pedido do médico que me recebeu realizei alguns exames médicos: raio X; análises e um TAC. No dia 28 de Janeiro de manhã, o Drº Joaquim (novamente) que me havia atendido já no dia 5/01/2011, analisou os exames requisitados pelos colegas do turno da noite e afirmou que nenhum dos exames apresentava qualquer alteração. Estranho! Diagnosticou «Sindroma Vertiginoso», receitou-me mais medicação e mandou-me para casa nas mesmas condições em que entrei no serviço de Urgência. De regresso a casa, continuei cada vez pior e no dia 29 de Janeiro, o fim do dia, estava novamente com tonturas, suores frios, náuseas e falta de equilíbrio. A situação começou a agravar-se cada vez mais e quando a minha esposa se apercebeu, eu já não conseguia engolir, nem falar, embora estivesse consciente não era capaz de fazer qualquer movimento com o meu corpo. De seguida, a minha esposa ligou ao 112 para pedir ajuda. No entanto, foi enviada apenas uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Vidago, os serviços médicos nunca foram activados. Por volta das 19h e 30m cheguei na ambulância ao Hospital de Chaves e não havia nenhuma equipa médica à minha espera. Depois de chegar ao Hospital levaram-me para a triagem, já sem oxigénio, a enfermeira insistia em saber o que aconteceu e com toda a calma via-me a febre, quando eu já estava com desvio facial, uma enorme dor do lado esquerdo da cabeça, paralisia da parte esquerda do corpo, incapacidade em engolir, falar e respirar, mesmo assim eu por gestos e consciente dava a indicação de tudo o que estava a sentir. A minha esposa, em acto de desespero, implorou à enfermeira da triagem que me colocasse oxigénio para evitar danos maiores no cérebro, mas esta ignorou, questionando se ela era médica! Fui ficando cada vez pior, até que fui levado numa maca para a área de atendimento dos Médicos, que sorte a minha quando de repente e envolvido em vómitos e todos os sintomas de AVC, o Dr. Simão Pedro me atendeu, furioso com o resto da equipa de urgência que não soube dar o melhor seguimento ao meu caso, arregaçou as mangas e fazendo única e simplesmente o trabalho dele…salvou-me de danos ainda mais profundos… Fui medicado e fiz um TAC por ele pedido. Foi-me diagnosticado um AVC Isquémico e foi pedido ao médico neurologista de urgência do Hospital de Vila Real um parecer acerca do meu problema, que achou por bem transferir-me para a Unidade de AVC do Hospital de Vila Real, onde estive internado durante oito dias. No dia 7 de Fevereiro resolveram transferir-me novamente para o Hospital de Chaves. Fui transportado de ambulância e estive duas horas na Urgência à espera de internamento. Quando questionei o que se estava a passar, a explicação que me deram foi que o Hospital de Vila Real já sabia que o Hospital de Chaves não tinha lugar para internamento, mas mesmo assim não quis saber e «despachou» o doente. Tinha necessidade de ser alimentado por uma sonda, havia sido vítima de um AVC há sete dias e encontrava-me numa maca da Urgência à espera de ser alimentado e de internamento… É inaceitável! Tantas falhas, tantas irresponsabilidades! Tudo isto só foi resolvido depois da minha esposa ter perdido a paciência, após 2h de espera, e se ter dirigido aos serviços administrativos da Urgência para pedir o Livro de Reclamações. Agora ponho a questão: Tudo isto poderia ter sido evitado? Poderia não ter chegado às consequências em que me encontro no momento? Com toda a certeza, caso existissem profissionais competentes e responsáveis. Depois de três semanas com tantos sintomas que indicavam que algo não estava bem e das duas vezes que me dirigi às Urgências do Hospital de Chaves, o mesmo médico me enviou para casa: ora eram enxaquecas, quando eu nunca tive uma dor de cabeça; ora eram vertigens, quando os sintomas e as crises que eu tinha me aconteciam mesmo a dormir… Haja coragem para apontar o dedo a este tipo de profissionais, se é que os podemos tratar como tal, porque de profissionais e de éticos nada têm! É lastimável que em pleno século XXI ainda aconteçam este tipo de negligências, certos «Srºs Doutores» deveriam envergonhar-se das atitudes irresponsáveis e do pouco valor que dão a uma vida humana! Espero com este testemunho alertar a população para o estado em que se encontra o sistema de saúde no Hospital de Chaves, pois desta vez fui eu, para a próxima pode ser um de vós!...
João Fernandes Joaofernandes.usa@gmail.com |
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