
Imprimido em 16-06-2011 06:14:55
Semanário Transmontano
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SECÇÃO: Opinião
Com-Posição
O plano
Defender o interesse público e a escola pública que é inclusiva, é para todos, acautelar que o dinheiro dos impostos não seja para pagar privilégios de alguns, devia ser o papel dos governantes, nem sempre tem sido.
1- A deputada flaviense Paula Barros foi à televisão insurgir-se, em nome do PS, contra um plano, que segundo ela, incidia e partia dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo com contratos de associação. Plano esse que envolveria a manipulação de alunos, pais e encarregados de educação. Igualmente envolveria grandes meios como registo por fotografia aérea, e métodos como simulação de reuniões, ou montagem de cenários com “chamamento de forças da autoridade” pelos próprios manifestantes. Não ouvi mais, mas não parece um plano. Pressões, campanha junto da opinião pública, isso é habitual. A reacção percebe-se, o silêncio não responde.
A verdade é que há quem tenha enriquecido à custa da educação, dos subsídios do Estado para a Educação, e quer manter o privilégio de ter uma indústria que dá bons lucros, sem o risco que os empreendedores verdadeiramente privados suportam. Empresas privadas com financiamentos públicos garantidos são o bem mais desejado neste país; é na construção é na Saúde e teria de ser também na Educação.
Que sejam só estas as instituições é um erro de análise da deputada; há outros colégios privados misturados na atitude contestatária, e que nada têm a ver com as escolas particulares que “suprem necessidades da rede pública”, como sejam projectos ideológicos e religiosos da chamada “livre escolha”, cujo plano, e aqui há de facto um plano, pretende subverter a escola pública. O plano vem de longe com a manipulação dos ratings das escolas e as mentiras sobre o custo por aluno. É assunto que tenho discutido, com pormenores que não cabem hoje aqui. Os cortes no financiamento do ensino particular foram bem explicados pela ministra Isabel Alçada; trata-se de rever contratos, pois como ela disse; “nenhum português compreenderia que o Estado tivesse detectado estar a pagar a colégios um valor superior ao devido e o continuasse a fazer” ou “que pagasse a colégios privados um serviço que pode assegurar com qualidade e sem acréscimo de custo nas escolas públicas” e que “ o Estado continuasse a duplicar despesas, sobretudo num momento de dificuldade para todos, como aquele que atravessamos”. Em nota à parte eu diria que estas verdades se deviam aplicar igualmente na Saúde, adiante.
Defender o interesse público e a escola pública que é inclusiva, é para todos, acautelar que o dinheiro dos impostos não seja para pagar privilégios de alguns, devia ser o papel dos governantes, nem sempre tem sido. Desta vez quer Paula Barros quer a ministra Isabel Alçada foram lestas a desarmar a campanha, fizeram bem. Espera-se rigor na análise das escolas particulares que são fundamentais para as populações, (onde não é suficiente a oferta estatal) e que têm de receber financiamentos adequados. Como há muita gente e a comunicação social em cima das negociações, é de supor que tudo será transparente salvaguardando o interesse dos alunos das famílias e dos contribuintes, sem prejudicar nos cortes, mais o ensino particular que o público.
2 – Tinha intenção mas não tenho espaço para desenvolver umas notas sobre os resultados eleitorais, sucintamente: Cavaco Silva é o presidente eleito com menos votos, algo descredibilizado no seu apoio tradicional que agora se absteve, apesar de suportado por parte do eleitorado socialista e também por isso, não tem votos nem legitimidade para fundamentalismos. Não houve segunda volta por causa de anti-cavaquistas terem escolhido a abstenção ou o voto branco como forma de contestação. A farsa diante das farsas eleitorais.
2011-01-25
Por: Carlos Mesquita
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