
Imprimido em 27-06-2011 03:09:51
Semanário Transmontano
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SECÇÃO: Chaves
Adelino Sarmento estabeleceu-se em 1936 no Tabolado
Comerciante festejou cem anos

Adelino Sarmento emocionou-se na hora dos parabéns |
Já não trabalha, mas ainda vai quase diariamente à loja. Adelino Sarmento, um dos comer-ciantes mais antigos da cidade de Chaves, comemorou cem anos na quinta-feira da semana passada. Na festa, o Grupo de Danças e Cantares Regionais de Santo Estêvão, a aldeia onde nasceu, fez-lhe uma surpresa. Cantou-lhe os parabéns e dedicou-lhe a marcha da cidade. “Feliz”, o aniversariante emocionou-se, mas ainda teve força para fazer de “maestro” e dirigir o grupo.
“Quero agradece-lhe pela oportunidade que me deu de trabalhar com o senhor, em 1936, eu com 11 anos e o senhor com 25. Isto foi há 75 anos, quando saiu da Casa Adriano Teixeira para se estabelecer com a Casa Adelino Sarmento, na Rua do Tabolado. Foi muito bom trabalhar consigo. A minha formação começou aí”. Filipe Gouveia Bastos, hoje no Brasil, foi o primeiro empregado de Adelino Sarmento, e a mensagem de parabéns ao antigo patrão foi enviada por fax.
Mas Filipe Bastos não foi o único empregado a lembrar-se ex--patrão, que chegou a ter 5 comércios e 17 empregados. António Jacob, de 70 anos, inspector tributário reformado, esteve de corpo presente na festa de aniversário dos cem anos de Adelino Sarmento, com quem começou a trabalhar, como marçano, quando tinha apenas 13 anos. Na altura, estudava e trabalhava e na loja do senhor Sarmento vendia de tudo, “do mais barato ao mais caro”. “ Ele foi sempre um homem muito bom, muito trabalhador. É um exemplo de honestidade e integridade”, recorda António, que nunca se lembra de o ex-patrão lhe “ter ralhado ou chamado à atenção”.
Representada na festa, organizada pela família do centenário, esteve também a Associação Comercial do Alto Tâmega (Acisat), que já homenageou Adelino Sarmento duas vezes, uma pelos 50 anos de associado e outra pela sua passagem pela direcção do Grémio do Comércio.
Os primeiros parabéns foram cantados antes do bolo e por vozes da terra natal do comerciante. De surpresa, alguns elementos do Grupo de Danças e Cantares Regionais de Santo Estêvão entraram na sala do restaurante a cantar e a tocar a marcha da aldeia, com um verso adaptado ao aniversa-riante. Depois, cantara-lhe os parabéns. “Ele emocionou-se muito quando nos viu entrar, mas, quando cantámos a marcha de Chaves, dirigiu-nos como se fosse maestro. Estava muito feliz”, recorda Maria Antónia Esteves, também presidente da Junta da Freguesia.
Mais tarde, participou ainda na festa da tuna da Universidade Sénior do Rotary Clube de Chaves.
Curiosidades:
Apuro do primeiro dia de comerciante: 1.223 escudos
Renda da loja: 150 escudos
Ordenando do primeiro empregado: 150 escudos
Custos dos prospectos para anunciar a abertura: 30 escudos
Primeiros impostos: 49 escudos
Preço dos regadores: 4 escudos
Preços das vassouras: 4,5 escudos
Por: Margarida Luzio
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