Caleb, o primeiro lance do treinador que preferiu a decisão certa no Gana-Panamá

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Depois de uma primeira parte morna, Gana alcançou a vitória já nos descontos no BMO Field: um golo de última hora selou o triunfo por 1-0 sobre o Panamá. O resultado surgiu num jogo com várias contrariedades para os africanos — desde a ausência de Thomas Partey por problemas de visto até à lesão do guardião titular — e dá novo fôlego à campanha de Carlos Queiroz no Mundial-2026.

Antes do apito inicial

Inserido num grupo com Inglaterra e Croácia, o Gana sabia que parte como underdog. A expansão do Mundial para 48 equipas e o sistema que permite a qualificação de oito entre doze segundos classificados davam ainda alguma margem de ambição às seleções do grupo.

O encontro ficou marcado por duas ausências de relevo: Thomas Partey não pôde viajar depois de ter visto o seu pedido de entrada recusado pelas autoridades canadianas — a federação ganesa recorreu para o Tribunal Federal do Canadá na tentativa de reverter a decisão — e Mohammed Kudus continua de fora devido a lesão. Carlos Queiroz, com 73 anos, disputou assim o seu quinto Mundial, igualando Bora Milutinovic e ficando atrás apenas de Carlos Alberto Parreira, que soma seis participações.

Como decorreu a partida

O Panamá entrou mais activo, aproveitando as condições adversas — chuva e vento num estádio sem cobertura — para criar as primeiras ocasiões. Amir Murillo ganhou espaço no flanco direito e cruzou para Cecilio Waterman, cujo remate obrigou Lawrence Ati Zigi a intervir logo aos 2 minutos. A primeira parte manteve um ritmo baixo e poucas oportunidades de perigo até ao intervalo.

No descanso, mais um problema para os ganeses: Ati Zigi saiu lesionado e Benjamin Asare entrou na baliza. A segunda metade trouxe outro Gana: mais agressivo e mais perto da baliza adversária. Kamaldeen Sulemana cruzou para Jonas Adjetey cabecear (48′), mas Orlando Mosquera fez a defesa. O Panamá respondeu, com Cristian Martínez a testar Asare e a criar desconforto à defesa africana.

O jogo subiu de intensidade na segunda parte, com várias alterações de ambos os lados. Um corte decisivo de Jiovany Ramos impediu um remate de Jordan Ayew aos 65 minutos, e Ramos chegou a disparar perto do alvo dois minutos depois. A pausa para hidratação, pedida numa fase em que o jogo corria melhor, foi recebida com assobios pelos adeptos.

Quando tudo parecia encaminhar-se para o empate, o episódio que decidiu o jogo: Brandon Thomas‑Asante iniciou um contra-ataque pela esquerda, acelerou até à linha de fundo e cruzou para Caleb Yirenkyi, que vinha de trás e só teve de encostar para o 1-0 já aos 90+5 minutos. A celebração de Carlos Queiroz junto aos adeptos ganeses, com gestos efusivos e ajoelhado no relvado, selou a noite.

Figuras do jogo

Caleb Yirenkyi

O médio de 20 anos do Nordsjaelland foi o herói ao marcar no seu único remate enquadrado. Além do golo, assinou uma exibição eficaz no passe e na recuperação: concretizou 31 de 32 passes, completou três dribles com sucesso, somou nove conduções com bola e nove recuperações. Foi a solução ofensiva que Queiroz soltou no momento decisivo.

Jordan Ayew

Aos 34 anos, Ayew voltou a mostrar utilidade num contexto de selecção que precisa de experiência. Entrou do banco e continuou a ser uma referência ofensiva do Gana, criando algumas das melhores oportunidades antes de assistir ao golo decisivo sem conseguir participar directamente na assistência final.

Consequências para o grupo

Com esta vitória, Gana iguala a Inglaterra no topo do Grupo L e prepara-se agora para o duelo com os ingleses. O Panamá fica em situação complicada, embora momentaneamente emparelhado com a Croácia no terceiro lugar; os canaleros estiveram muito perto de conquistar o seu primeiro ponto em fases finais de Mundial.

A polémica da pausa para hidratação

O encontro em Toronto voltou a colocar em debate a utilidade das pausas para hidratação. Marcadas numa fase de chuva intensa e temperatura amena — com thermómetros abaixo dos 20°C, humidade na ordem dos 74% e vento próximo dos 20 km/h —, essas paragens foram alvo de protestos por parte dos adeptos e não tiveram impacto visível no ritmo do jogo.

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