Portugal usado como comida na festa congolesa de Houston; Ronaldomania posta em causa

Mostrar resumo Ocultar resumo

Em Houston, o arranque de Portugal no Mundial começou entre aplausos e surpresas: da entrada com a música de Eminem ao rebentar de alegria quando João Neves fez o primeiro golo, até à festa congolesa que respondeu antes do intervalo. O ambiente no NRG Stadium traduziu-se numa mistura de entusiasmo, muitas camisolas vermelhas e uma sensação final de desilusão nas bancadas.

Entrada em campo e ambiente inicial

A seleção portuguesa entrou no relvado acompanhada por Lose Yourself, de Eminem, e pelos ecrãs que mostraram Cristiano Ronaldo no terceiro anel — imagem que provocou um dos maiores momentos de excitação antes do jogo. Portugal adotou também o novo formato de entrada: equipas e suplentes alinhados em redor do círculo central.

Durante os hinos, o estádio reproduziu a letra de A Portuguesa em formato karaoke e, já no fim, foi projetada uma imagem a preto e branco de Diogo Jota. A família do jogador esteve nas bancadas a convite da Federação Portuguesa de Futebol.

O golo de João Neves e a resposta do Congo

O treinador Roberto Martinez tem destacado o simbolismo do número seis para a equipa e foi precisamente esse minuto que ficou marcado pelo golo de João Neves — uma estreia com festa entre os colegas e que abriu o marcador para Portugal.

O jogo, porém, teve reacção. A República Democrática do Congo cresceu em circulação e perigo e, já perto do intervalo, Wissa cabeceou para o fundo da baliza de Diogo Costa. Foi o primeiro golo da história do Congo em fases finais do Mundial.

O momento entrou também para a memória do país: em 1974, quando participou sob o nome Zaire, a seleção não marcou e sofreu 14 golos. O tento diante de Portugal representa um marco histórico para os congoleses.

Clima nas bancadas: maioria de cores, minoria de nacionais

O NRG Stadium tem capacidade para 72.000 pessoas. Durante a partida, os números oficiais apontaram para 68.777 espectadores. A Federação Portuguesa informou ter vendido 3.500 bilhetes a portugueses, e dados da FIFA foram depois citados pela federação indicando 10.607 bilhetes vendidos a portugueses — cerca de 15% do público.

Do topo do terceiro anel era visível uma bancada amplamente pintada de vermelho — estimativas no local referiram perto de 80% do recinto com cores de Portugal. Ainda assim, encontrar cidadãos portugueses foi relativamente difícil. Jornalistas falaram com só alguns grupos que garantidamente viajaram desde Portugal; muitos adeptos vestindo as cores vieram de diversos países ou são emigrantes há muitos anos.

Relatos de adeptos e a festa congolesa

Houve relatos de quem viajou expressamente para ver Cristiano Ronaldo. Miguel Diaz, por exemplo, disse ter vindo do México “para apoiar o Ronaldo” e classificou-o como “o melhor jogador da história”. Outros fãs vieram de locais tão distintos como Singapura, Indonésia ou Japão — e alguns fizeram questão de afirmar a admiração pelo capitão português.

Do lado congoles, o tom foi de festa e confiança. Adeptos mostraram-se eufóricos pelo regresso da República Democrática do Congo a um Mundial e deixaram declarações provocadoras: “Viemos para ganhar”, “Viemos para acabar com o Ronaldo” e, numa expressão mais bem-humorada, “No Congo, o nosso prato favorito é Portugal”.

Bilhetes e custos para assistir ao encontro

O Observador verificou uma ampla variação de preços no mercado: os valores encontrados oscilavam entre cerca de 200 e 1.500 dólares por bilhete. Para muitos presentes, o custo foi considerado justificável pela natureza do evento.

Exemplos recolhidos no local incluem Josh, dos EUA, que pagou 750 dólares, Brigitte Pinto, que disse ter gasto cerca de 300 dólares por cada bilhete para a família, e Juan, que afirmou ter desembolsado o equivalente a perto de 3.000 dólares por três ingressos.

No final, o jogo deixou uma imagem dividida: muita cor portuguesa nas bancadas, celebração congolesa e uma sensação de que a seleção nacional não conseguiu corresponder plenamente às expetativas dos milhares que encheram o estádio. A participação do Congo no grande palco trouxe história e festa, enquanto Portugal saiu do relvado com pontos de interrogação sobre a exibição.

Dê o seu feedback

Seja o primeiro a avaliar este post
ou deixe uma avaliação detalhada



Semanário Transmontano é um meio independente. Apoie-nos adicionando-nos aos seus favoritos do Google News:

Publicar um comentário

Publicar um comentário