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Deniz Undav entrou do banco e virou o jogo para a Alemanha, que venceu a Costa do Marfim por 2-1 em Toronto e carimbou a qualificação para a fase a eliminar do Mundial-2026. A reviravolta chegou nos últimos minutos, numa partida em que os germânicos tiveram de contrariar um início inesperado dos africanos.
Contexto e expectativas
A Alemanha chegava ao encontro com a sensação de dever cumprido após a vitória sobre Curaçau, mas também com a pressão de confirmar confiança e aproveitar a vantagem do grupo. Para Julian Nagelsmann havia urgência: evitar repetir os erros dos Mundiais recentes e validar a renovação que tem sido desenhada desde o último Europeu.
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Do outro lado, a Costa do Marfim apresentou uma leitura pragmática do torneio. O selecionador Emerse Faé alterou várias peças face ao encontro com o Equador — preservando rostos como Yan Diomandé e Frank Kessié, mas colocando no banco jogadores tão sonantes como Seko Fofana, Nicolas Pépé e Elye Wahi — numa abordagem que misturou rotação e ambição.
Como o jogo se desenrolou
Os primeiros minutos foram de domínio germânico em oportunidades, com avisos de Kai Havertz, Musiala e Nmecha. Apesar do volume de jogo, foi a Costa do Marfim a abrir o marcador: Yan Diomandé arrancou pela esquerda e cruzou rasteiro; Amad Diallo tentou o desvio e, na recarga, Kessié empurrou para o 1-0 (29′).
O intervalo aproximou-se com a Ivórica a gerir a vantagem e a Alemanha a sentir dificuldades para transformar posse em golos. Antes do descanso houve ainda um tento anulado a Pavlović e outra ocasião anulada por falta de Musiala sobre o guarda-redes.
No segundo tempo, Nagelsmann procurou mudar a dinâmica e lançou Undav, Amiri e Leweling. A substituição revelou‑se decisiva: Amiri cruzou para a área e Undav, de primeira, igualou aos 68′. O confronto ganhou ritmo, com desgaste físico, e parecia encaminhar‑se para um empate. Só que, no quarto minuto de descontos, uma assistência de grande qualidade de Nmecha isolou Undav, que rematou para o 2-1 final.
A importância da mudança no banco
A entrada de Undav foi o ponto de viragem. A Alemanha mostrava fôlego por fora, mas precisava de alguém com capacidade de finalizar dentro da área — e foi essa solução que o avançado ofereceu duas vezes. Para uma equipa que, segundo o histórico citado antes da partida, tinha dificuldades quando sofria primeiro (nos últimos dez jogos em Mundiais em que foi perdendo apenas tinha vencido um), esta vitória valeu mais do que três pontos.
A estrela
Deniz Undav reforçou a imagem de jogador de impacto vindo do banco. Depois de uma época de destaque no Estugarda — com 25 golos e 14 assistências em 45 jogos — o avançado voltou a decidir num momento de necessidade. Entrou, melhorou a presença alemã na área e marcou nas duas oportunidades que teve, primeiro com um toque de primeira e depois com frieza no remate final.
O joker
Frank Kessié assumiu papel central na resistência marfinense: não só pelo golo, mas pela capacidade física e pelo equilíbrio que ofereceu enquanto teve energia. E há ainda a menção a Nmecha, autor do passe decisivo no último minuto de compensação — um passe longo entre adversários que revelou frieza e qualidade técnica num momento de grande pressão.
A sentença e as contas do grupo
Com o triunfo nos descontos, a Alemanha assegurou a presença na fase a eliminar do Mundial, algo que não acontecia desde 2014. A vitória deixa também a Costa do Marfim em posição favorável: apesar da derrota sofrida nos instantes finais, a equipa continua a depender apenas de si para garantir a segunda vaga do grupo, necessitando de vencer Curaçau na última jornada.
A narrativa quebrada
Antes do torneio existem lugares-comuns sobre selecções africanas — desde supostas desorganizações logísticas até alegadas tensões internas. A Costa do Marfim ofereceu este sábado um contraponto: rotação inteligente, leitura tática e uma réplica física ao longo do jogo. A equipa não depende de lendas do passado para se afirmar e mostrou sinais de organização e competitividade no contexto do grupo.












