Arquivo: Edição de 24-12-2009
2 dígitosIronias à parte, já sabemos que a economia é algo volátil e o que hoje é branco amanhã pode ser preto e depois de amanhã voltar a ser branco. Em tempos de crise há números que engordam, um sinal contrário ao inevitável apertar dos cintos. De Norte a Sul, os números são como o algodão e não enganam: em Portugal, a taxa de desemprego já está nos 10% e nos próximos tempos prevê-se que os 2 dígitos fiquem por aí, de pedra e cal. É claro que a culpa é da crise (é sempre da crise) e se ela não existisse tenho a certeza de que alguém a inventaria só para servir de pretexto a que más gestões de muitas empresas despedissem pessoas. Como somos um país que adora concorrer aos mais disparatados recordes do Guinness Book, será que vamos ter alguém a propor a candidatura de Portugal a mais uma dessas tolices, que na maior parte das vezes proporcionam os tais 5 minutos de desejada fama televisiva? Desde já ponho o meu cepticismo em acção, lembrando que, por enquanto, Portugal não tem hipótese de alcançar tão desejado troféu. Recordo que aqui ao lado – em Espanha – a taxa de desemprego também é de dígitos só que já roça os 20%. Contra uma performance destas não temos nenhuma hipótese...
Pela boca morre o peixe Sobre esta questão de números é interessante reparar que em Agosto de 2009 o então Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, Vieira da Silva, não acreditava nessa possibilidade, apostando antes numa rápida saída da recessão técnica, o que implicaria um crescimentos menos intenso do desemprego. Logicamente isso vaticinaria os primeiros sinais uma mudança positiva. E é claro que a mudança foi positiva: os números aumentaram! Ironias à parte, já sabemos que a economia é algo volátil e o que hoje é branco amanhã pode ser preto e depois de amanhã voltar a ser branco. Assim, qualquer afirmação mais categórica e afirmativa pode virar--se sempre contra quem a proferiu. É por isso que os peixes só abrem a boca por uma questão de sobrevivência, tal como muitos políticos, pois se estes ficassem calados perdia-se a sua razão de ser. Ou não...
2 palavras apenas Não esquecendo esta altura do ano e mesmo correndo o risco de fazermos uso de lugares comuns, o cronista de Cravo&Ferradura deseja ao Semanário TRANSMONTANO, e a todos os seus leitores, umas Boas Festas. Se ao menos estas duas palavras pudessem dar alento a todas as pessoas que se encontram encerradas no pesadelo dos 2 dígitos isso sim é que seriam umas Boas Festas. Muito obrigado e até à próxima crónica. Por:
Bruno Cunha |
