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Edição de 30-07-2010
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Opinião

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Cravo & Ferradura

Margaritas fora do baralho

Calculo que nessa noite tivemos azar pois as bebidas devem ter sido jogadas numa roleta qualquer e, depois, foi a nós que elas vieram parar.

Depois de um ano longe de Chaves eis que, enquanto inicio a escrita desta crónica, me apetece uma bebida. Vou ao frigorífico buscar uma água com gás (de uma conhecida marca de Trás-os-Montes) e fico a pensar na noite em que revisitei o Casino de Chaves para tomar um copo e gastar uns tostões numa das máquinas.

Quentes e más

Depois de uma vista de olhos no menu das bebidas, constatei que não me apetecia nada do que lá vinha. Não tenho gostos esquisitos, mas apetecia-me algo fresco e exótico (o Verão tem destas coisas). Sugeri margaritas à minha mulher e uma amiga (a nossa anfitriã de sempre em Chaves). O empregado disse que era possível providenciar essa bebida, mesmo não estando mencionada no menu. Fiquei descansado. Afinal, sempre estava num casino moderno e preparado para servir bem os seus visitantes. Enganei-me. Passados uns largos minutos, as margaritas foram-nos trazidas. Estranhei logo a sua exagerada transparência, bem como a falta de pedaços de gelo. Dei um trago. Estava insuportavelmente quente e com o álcool a notar-se em demasia. Não era nada do que estava à espera. Chamei o empregado e fiz-lhe notar a temperatura das bebidas (nem referi que as margaritas estavam mal confeccionadas pois, possivelmente, mais frescura disfarçaria o seu teor alcoólico).

Frigorífico não faz milagres

Em jeito de sarcasmo ligeiro, disse a quem me acompanhava que as margaritas iriam apenas repousar um tempinho no frigorífico. Dito e feito. Passados outros larguíssimos minutos, eis que as meninas (as ditas margaritas) regressam à nossa mesa. Como presumi, apenas os copos estavam frescos mas a bebida continuava morna! A custo, lá beberricámos desconsoladamente as taças mas uma coisa não me saía da cabeça: como é possível que num casino que tem inegáveis e compreensíveis pretensões não se saiba servir convenientemente uma bebida que, calculo, não seja nada do outro mundo em termos de preparação? Se fosse num bar rasca eu ainda era capaz de compreender (mas nesse caso tinha pedido uma cervejola e nunca uma margarita). Calculo que nessa noite tivemos azar pois as bebidas devem ter sido jogadas numa roleta qualquer e, depois, foi a nós que elas vieram parar.

Para a próxima já sei: no Casino de Chaves nada de margaritas. Só uma moedinhas nas máquinas e esperar que esta simples receita dê tilintantes frutos.

Até à próxima crónica, prometo que será sem álcool e com um olhar muito próprio sobre a minha estadia neste Verão de 2009 por terras de Trás-os-Montes.

Por: Bruno Cunha


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