Arquivo: Edição de 19-06-2009
Abstenção, não obrigado!A crítica começa no voto e através dele penso que se tem toda a legitimidade para se dizer mal ou bem Em ano de recheado calendário eleitoral, julgo ser importante um comentário sobre algo que deveria preocupar mais os políticos nacionais e europeus: a abstenção. Reformulo o parágrafo anterior: a abstenção é algo que deveria preocupar todos os cidadão europeus, ou pelos menos aqueles que ainda acreditam ser a democracia a melhor forma de governação, isto apesar das suas imperfeições.
A política é uma carreira Obviamente que tenho de começar pelos políticos pois se não são capazes de estimular o eleitorado com ideias e propostas realmente pertinentes e inovadoras, creio que é mais fácil instalar-se o desinteresse. Por outro lado – e isto tem de ser dito com toda a frontalidade – ser-se político é abraçar-se uma carreira profissional. Isso de se fazer política apenas (e através) das convicções ideológicas em muitos casos já foi chão que deu uvas. Hoje em dia, ser-se político é como ser-se médico, doutor, engenheiro, ou outra profissão qualquer. Mas em qualquer categoria profissional há sempre os que se destacam positivamente e os que se pautam pela negativa. Na política passa-se o mesmo. Há os bons e há os maus.
A dupla função do voto Quando votamos quase sempre estamos a premiar uns e a castigar outros. Logo o voto pode ser (também) ser visto por este parâmetro. Mas se não votamos, se ficamos no conforto da casa, do café ou da televisão, estamos a passar uma mensagem de alheamento, como se tal fosse possível, já que vivemos em sociedade. Mas, mais do que isso, estamos a contribuir para a distorção da representatividade política, pois com um menor número de votos se pode assumir a governação de um país de muitos milhões de pessoas, com uma alta percentagem delas à margem de qualquer tipo de decisão. É que um voto pode fazer toda a diferença, isto fazendo jus ao ditado popular de que “grão a grão enche a galinha o papo”.
Quem não vota não refila Mas para mim – e sendo completamente reducionista e pragmático – quem não vota em consciência nunca poderá assumir aos 7 ventos um direito que é de todos: o direito de protestar! A crítica começa no voto e através dele penso que se tem toda a legitimidade para se dizer mal ou bem. Agora, quem não vota, sinceramente não pode dizer que A ou B é mau por isto ou aquilo, ou que o país é uma desgraça e não muda, pois esqueceu-se de usar uma das principais ferramentas da democracia e da liberdade: o voto. É claro que se pode argumentar que numa democracia o direito de abstenção é intocável. Pois é, concordo. Mas em democracia raramente o silêncio e a apatia dão frutos, por isso nas próximas eleições não se esqueça de votar alto e bom som. Acredite que um boletim de voto (seja em branco, nulo ou com uma cruz no quadrado em que acreditamos) chega mesmo aos ouvidos dos políticos. Contra isso não há surdez que possa ignorar a opinião de todos nós. Muito obrigado e até à próxima crónica.
Notas: Na minha última crónica, erradamente referi Abruzzo como a cidade italiana abalada por um devastador terramoto. Acontece que o nome correcto da cidade é Aquila, sendo que Abruzzo é a região onde ela se situa. Aproveito esta nota de rodapé para dar os parabéns ao Grupo Desportivo de Chaves pela subida à Liga de Honra. É o clube do coração do meu sogro e do meu cunhado, eles que, tal como eu, também são adeptos do Sporting Clube de Portugal. Por:
Bruno Cunha |
