Arquivo: Edição de 15-05-2009
“Posso apalpar um pouco a senhora?”“Posso passar-lhe a mão pelo pêlo?” Esta seria a frase de Sócrates, caso quisesse amansar o espírito dos portugueses nesta hora de maiores apertos. Foi com estas sábias e apropriadas palavras que Berlusconi se dirigiu a Lia Beltrami-Giovanazzi, voluntária de uma organização de solidariedade, que prestava auxílio às vítimas do tremor de terra na cidade italiana de Abruzzo. Sabendo que numa civilização global tudo o que é novidade se dissemina de uma forma muito fácil e rápida, será que iremos ver esse tipo de piropo nas próximas campanhas eleitorais portuguesas? Teríamos pelo menos uma vantagem: não nos apropriaríamos de situações adversas para colocar em prática esse tipo de marketing político verdadeiramente íntimo e directo. A não ser que se considere as eleições como algo trágico e perverso. Eu ainda não cheguei a esse ponto (nem espero chegar). O interessante deste episódio (mais um do senhor Berlusconi, que quase todos os dias nos brinda com os seus disparates) é que podemos fazer um exercício de livre imaginação e especularmos esta situação aplicada à realidade política e partidária do nosso país. Vamos a isso?
“Posso passar-lhe a mão pelo pêlo?” Esta seria a frase de Sócrates, caso quisesse amansar o espírito dos portugueses nesta hora de maiores apertos. Por falar em apertos, a frase alternativa seria “Posso dar-lhe um abraço ainda mais forte?”. Possivelmente, nesta altura de crise, muitos de nós cairiam inanimados com uma prova de afecto tão forte.
“Posso fazer-lhes umas festinhas bem centradas?” Já a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, tentaria seduzir cada possível eleitor com umas festinhas bem aplicadas na parte central do cocuruto. Nada de desvios para direita e muito menos para a esquerda. Só gestos suaves no meio da tola para tentar espevitar o bloco central.
“Para além de beijinhos, não quer também uns abracinhos?” Por seu lado, Paulo Portas – com toda a embalagem que conseguiu adquirir após a visita a muitas feiras – juntaria aos beijinhos muitos apertos e abraços, expandindo a sua verve amorosa para além das peixeiras. Temos a certeza de que assim conseguiria convencer ainda mais eleitores. Ou não...
“Apalpões, camaradas!” Os comunistas seriam extremamente igualitários na sua árdua tarefa do triunfo dos apalpões e dos abraços, obviamente distribuídos apenas pela classe operária, camponesa e alguns intelectuais. Se o volume de carícias não fosse suficiente então testas teriam de ser suprimidas aos opressores e aos capitalistas. Os ricos que paguem a falta de festas!
“Não quer uma festinha alternativa?” Também os bloquistas não fugiriam a esta febre de afagadora mas, apesar do seu espírito algo libertário e alternativo, imporiam uma regra : apalpar só mesmo com a mão esquerda, nada de confusões!
Muito obrigado e até ao próximo apalpão, peço desculpa, até à próxima crónica. Por:
Bruno Cunha |
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