Arquivo: Edição de 24-04-2009
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Cravo & Ferradura A vitória da conquistaÉ das redundâncias mais engraçadas com que me deparei nos últimos tempos mas Vitória da Conquista – um nome delicioso! – é nada mais, nada menos do que uma cidade (e município) brasileira do estado da Baía. A curiosidade torna-se maior quando se dá conta de que o fundador de Vitória da Conquista foi um português de Chaves, de seu nome João Gonçalves da Costa. A cidade foi fundada em 1783 com a denominação de Arraial da Conquista, fruto da ocupação territorial do flaviense na sua missão de desbravar território virgem mas habitado por diversas tribos de índios. Com a certeza de que havia muito a explorar, e dado que em Portugal as condições de vida eram muito difíceis (nada que não aconteça nos dias de hoje), com apenas 16 anos João Gonçalves da Costa abandonou a sua terra natal e partiu para um destino onde criou raízes e fez jus à bem conhecida máxima lusa de dar novos mundos ao mundo. É claro que todo esse processo não deve ter sido nada pacífico. Assim, em 1782 ocorreu a batalha que posteriormente deu origem à cidade. Pelo que se sabe a luta foi acesa entre os soldados de João Gonçalves da Costa e os índios. No limite das suas forças, os soldados, buscaram alento para continuar o confronto. Desta forma, não há nada como o divino para dar uma energia extra, tendo o sertanejo luso prometido à aparentemente guerreira Nossa Senhora das Vitórias construir uma igreja no futuro local de Vitória da Conquista, isto caso terminasse a peleja com uma vitória. Tal como conta a história dos vencedores (quase sempre, a história mais difundida é a história dos vencedores) essa promessa foi um estímulo para as tropas que, revigoradas, conseguiram cercar e aniquilar o grupo indígena que caiu, no alto de uma colina, onde depois foi erguida a antiga igreja, demolida em 1932. Não se sabe ao certo se essa promessa foi realmente existiu, e se foi concretizada, mas é a que tem prevalecido ao longos dos anos.
Há novos caminhos?
Serve esta história – pelos visto real – para dizer que, no seguimento da minha última crónica, afinal os Eldorados não caem do céu. Quase sempre são construídos com muito sangue, suor e lágrimas. Obviamente que, tal como hoje, a luta por novos territórios e recursos era tudo menos pacífica e geralmente só um dos lados é que ficava a ganhar – daí existirem sempre vencedores e vencidos em quase todos os conflitos. Assim, a colonização do chamado Novo Continente, muito pela necessidade de obter novos recursos, potenciou uma expansão económica, fatalmente a única que tem sido capaz de controlar de forma efectiva os destinos do mundo, concordemos ou não com ela e com muitos dos seus métodos. O que hoje sucede é que a crise económica veio colocar-nos numa encruzilhada em que ainda não sabemos muito bem qual o caminho a seguir: ou o capitalismo cai de vez ou assume novas formas de se constituir numa opção válida de progresso e desenvolvimento, o que, em última análise, poderá ser a forma de se extinguir, transformando-se em algo completamente novo. Até lá vamos sonhando com novas redundâncias. Pode ser que apareça uma nova Vitória da Conquista, com outro enquadramento e sentido, e baptizada com uma outra nomenclatura. Até à próxima, vindoura e futura crónica. Por:
Bruno Cunha |
